quarta-feira, 8 de abril de 2015

A mãe fundadora negligenciada – sociologia e androcentrismo

Harriet_Martineau_by_Richard_Evans

Por Ed Machado para o circuito acadêmico

O silêncio e a ausência costumam ser mais significativos que o dito e o  evidenciado. As histórias oficiais são ritualmente contadas, e acabam sendo naturalizadas e eternizadas. Na iminência de se tornarem inquestionáveis, essas histórias são confrontadas por vozes dissonantes que, embora sempre estivessem presentes, nunca foram de fato ouvidas.

Todos os semestres, nas aulas introdutórias de sociologia, mitos relativos à narrativa histórica desta ciência são perpetuados. Temos o conhecido mito da modernidade europeia, da qual a disciplina seria filha legítima; e o mito dos pais fundadores: Marx, Durkheim e Weber, às vezes também Simmel. Sem questionar, aceitamos convenientemente essas narrativas. Mas seria possível imaginar outras? Para Vineeta Sinha, socióloga da National University of Singapore, não é só possível imaginá-las, como também praticá-las

ler o artigo completo:

http://circuitoacademico.com.br/2015/04/07/a-mae-fundadora-negligenciada-sociologia-e-androcentrismo/

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tecendo Redes, Suportando o Sofrimento: sobre os círculos sociais da loucura

Por Breno Fontes (UFPE): Este artigo tem por objetivo investigar a estrutura das redes sociais não ancoradas territorialmente; são interações mediadas pela Internet, capazes de estruturar laços secundários (predominantemente) e primários (de forma ocasional). De forma similar a outras práticas de sociabilidade ancoradas territorialmente, estas, mediadas pela Internet, também são capazes de prover apoio social. Tendo como ponto de partida o conceito de Círculos Sociais desenvolvido por Simmel, procuro construir uma tipologia de práticas de sociabilidades mediadas pela rede mundial de computadores, a partir de informações recolhidas na literatura especializada. A conclusão é que comunidades online de pessoas ligadas ao que designo círculo social de transtorno mental são importantes instrumentos para a criação de apoio social e disseminação de práticas e informações sobre cuidado.

Palavras-Chave: Simmel; Círculos Sociais; Internet; Saúde Mental

Leia o artigo completo aqui:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222014000300112&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

sexta-feira, 13 de março de 2015

XVII Congresso Brasileiro de Sociologia

EUVOU_Sociologia

A Sociedade Brasileira de Sociologia apresenta o XVII Congresso Brasileiro de Sociologia, que será realizado de 20 a 23 de julho de 2015, em  Porto Alegre, no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O tema do evento é ‘Sociologia em Diálogos Transnacionais’, que chama a atenção para a importância dos debates correntes nas principais redes internacionais de pesquisa sociológica. Interconectadas, essas redes propiciam a crescente cooperação em pesquisa e docência de sociólogos brasileiros com colegas da América do Norte, da Europa, dos países lusófonos, dos países ibero-americanos, do denominado eixo ‘Sul Sul’, com destaque para as importantes conexões com pesquisadores dos países Brics, da América Latina e da África.

Página oficial do evento: http://sbs2015.com.br/

elite empresarial e elite econômica: o estudo dos empresários

COSTA, Paulo Roberto Neves. Elite empresarial e elite econômica: o estudo dos empresários. Rev. Sociol. Polit. [online]. 2014, vol.22, n.52, pp. 47-57. ISSN 0104-4478.  http://dx.doi.org/10.1590/1678-987314225204.

Os objetivos do artigo são verificar como a questão da elite se apresenta na literatura sobre empresariado no Brasil e contribuir para a construção de uma estratégia de análise que se paute por essa questão no estudo dos empresários. A análise dos estudos que tratam do empresariado como elite indica a existência de algumas lacunas e imprecisões. O uso da expressão "elite" nem sempre vem acompanhado do desenvolvimento de suas implicações teóricas e metodológicas. E os trabalhos sobre o empresariado que recorrem a métodos de estudo de elites tendem a associá-los, de forma precária, ao tratamento de outras questões, como a da classe. Nesse sentido, propomos a distinção entre elite empresarial, os dirigentes das entidades de representação do empresariado, e elite econômica, os dirigentes das grandes empresas. Pretendemos contribuir tanto para uma maior precisão das categorias analíticas, quanto para a construção de métodos e hipóteses de trabalho mais eficazes no estudo dos empresários. Ao mesmo tempo, propomos que as particularidades e semelhanças desses dois grupos que compõem a elite do empresariado sejam tratadas, sobretudo, mas não de forma exclusiva ou isolada, a partir da questão da política e das instituições políticas, em particular seus valores e suas formas de ação política.

Palavras-chave : empresários; empresariado; elites; elite econômica; elite empresarial.

Acesso livre ao texto completo: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v22n52/04.pdf

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

curso de sociologia gratuito FGV

A Sociologia trata da discussão contemporânea sobre o conhecimento sociológico, apresentando conceitos, temas e autores centrais na definição da Sociologia. O objetivo do curso é oferecer aos professores de ensino médio e demais profissionais que lidam com a Sociologia um instrumento atualizado de informação e aprendizagem.

Faça sua inscrição gratuita:

http://www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/AreaConhecimento/Educacao/Sociologia/OCWSOCEAD-01slsh2009-1/OCWSOCEAD_00/SEM_TURNO/387

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Agora é que a história do socialismo está começando

 

Michael Lowy, cientista social: ‘Agora é que a história do socialismo está começando’

No Brasil para uma palestra e vivendo na França há 40 anos, marxista brasileiro especializado em Walter Benjamin relaciona revolução com impulso messiânico

POR PEDRO GUEIROS

<br />Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo<br />Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo - Marcelo Carnaval / Agência O Globo


“Nasci no Brasil, fui para a Europa fazer tese sobre Marx e vivo na França há 40 anos. Tenho estudado o judaísmo libertário e o grupo de pensadores que articulou a tradição messiânica com a utopia revolucionária. Sou um ateu religioso. Acredito no marxismo e no homem, mas essa já é uma fé profana”

Conte algo que não sei

Estima-se que o derretimento das calotas polares elevará o nível do mar em 70 metros mas basta subir um metro para as principais cidades ficarem debaixo d'água. A sociedade industrial capitalista ocidental nos faz caminhar para o desastre mais rápido do que se esperava. Estamos sob ameaça do dilúvio, como na Bíblia. Precisamos pensar numa alternativa civilizatória radical, determinada pela decisão coletiva e democrática. Chamo isso de ecossocialismo.

Boa parte dos intelectuais marxistas, como o senhor, tem origem judaica. A religião que oprime é a mesma que liberta?

Walter Benjamim denuncia o capitalismo como religião mas diz que o materialismo precisa da ajuda da teologia para ser redentor. Há na tradição judaica o messianismo, promessa de um mundo do qual a opressão, a fome, a miséria, a guerra desaparecerão. Isso tem potencial subversivo, mas não é monopólio dos judeus. O pessoal teologia da libertação, leitor atento do antigo testamento, se apropriou. Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina.

Por que antigos militantes de esquerda convertidos ao liberalismo tratam com despeito a bandeira vermelha?

Quem muda de lado tem contas a acertar com o passado, e ataca quem se mantém fiel a ideias. Alguns dos maiores inimigos do socialismo foram socialistas antes. Para citar um nome, Mussolini. O problema não é o indivíduo, há gente honesta e humana em toda doutrina. Mesmo na escravidão havia senhores que tratavam bem os escravos. O problema é o sistema. A escravidão tinha de acabar. O mesmo diz-se do capitalismo.

É preciso ser jovem de espirito pra crer no coletivo?

Em qualquer luta, a juventude é protagonista. Mas há gente de várias idades que continua convicta. Depois de passar a vida ouvindo que quando ficasse velho iria ver que as coisas são diferentes, o poeta surrealista francês Benjamim Péret disse: “Fiquei velho e não vi nada”.

O uso da força faz do oprimido de hoje o opressor de amanhã. A revolução definitiva será obtida por meio do amor?

O ideal seria a revolução do amor, pacífica, tal qual pregaram Luter King, Mandela. Infelizmente, sabemos que as classes dominantes resistem às mudanças, e há o perigo de uma resistência violenta das oligarquias. É importante buscar a transformação pela consciência, mas em certas circunstâncias você será obrigado a se defender.

Com a queda do muro, o que restou da utopia?

O que fracassou nos países do leste foi uma caricatura burocrática do socialismo: o marxismo foi usado só para legitimar um estado que não tinha muito a ver com a essência socialista, em que a sociedade controla democraticamente os meios de produção e consumo. Talvez no começo, havia uma tentativa, mas virou uma ditadura totalitária. Só que não acabou. Na verdade, é agora que a história do socialismo está começando.

Vistos como a civilização do atraso, os índios agora são o paradigma do futuro?

Benjamim dizia que o capitalismo tem relação assassina com a natureza. As comunidades primitivas do Brasil e de toda a América Latina consideravam a natureza como uma mãe generosa. Não por acaso, indígenas estão na vanguarda da luta. Não podemos voltar a viver como eles, mas aprender a respeitar essa mãe generosa.

Não é hora de buscar o tropicalismo como doutrina?

Não, mas todas as doutrinas europeias que chegam ao Brasil têm que se adaptar ao clima tropical, do contrário, não pegam. O marxismo é como arroz, é universal mas cada povo o faz de um jeito. Com o feijão brasileiro vai dar um gosto diferente.

 

originalmente publicado em:

http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/michael-lowy-cientista-social-agora-que-historia-do-socialismo-esta-comecando-14121271

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O papel das Ciências Sociais em um mundo em mudança acelerada

Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Que traços melhor caracterizam o mundo contemporâneo? Entre as grandes mudanças ocorridas no cenário global quais são aquelas que de maneira mais completa definem o tempo presente? Como transitar da perplexidade que essas mudanças inspiram para sua inteligibilidade em grandes quadros interpretativos? Essas foram, resumidamente, as principais indagações que o sociólogo Craig Calhoun procurou responder em palestra realizada em julho na sede da FAPESP, em São Paulo.
Nascido em 1952, o norte-americano Calhoun tornou-se diretor da prestigiosa London School of Economics and Political Science (LSE) em setembro de 2012. Antes disso, dentre várias atividades, desempenhou, nos Estados Unidos, as funções de professor de Ciências Sociais na New York University e de presidente do Social Science Research Council (SSRC), organização independente dedicada ao avanço da pesquisa em Ciências Sociais e áreas afins.
A despeito de ter nascido e se graduado nos Estados Unidos, Calhoun tem conexões antigas com o Reino Unido, pois fez mestrado em Antropologia Social na University of Manchester e doutorado em Sociologia e História Econômica e Social Moderna na University of Oxford. Igualmente determinantes em sua trajetória intelectual foram os trabalhos que realizou em outros países, notadamente na conturbada região do Chifre da África.
Mesmo com o importante cargo que ocupa atualmente, Calhoun faz questão de manter um posicionamento intelectual crítico e um trato pessoal informal e acessível (confira seu blog emhttp://blogs.lse.ac.uk/craig-calhoun/).
A palestra que proferiu na FAPESP foi pautada por um texto que produziu recentemente em parceria com o sociólogo Michel Wieviorka, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, intitulado Manifesto pelas Ciências Sociais (a versão integral pode ser lida em francês emhttp://socio.hypotheses.org/147).
A pergunta feita no início desta apresentação foi assim respondida por Calhoun e Wieviorka em seu manifesto: “Dentre as mudanças que obrigam as Ciências Sociais a transformar seus modos de aproximação, as mais espetaculares podem ser resumidas a duas expressões: a globalização e o individualismo. São duas lógicas que, em conjunto, balizam o espaço no interior do qual a pesquisa cada vez mais é chamada a se mover.”
“A palavra ‘globalização’, em sentido amplo, inclui dimensões econômicas, mas também culturais, religiosas, jurídicas etc. Hoje, numerosos fenômenos abordados pelas Ciências Sociais são ‘globais’, ou suscetíveis de serem observados sob esse ângulo”, prossegue o texto mais à frente.
Quanto ao individualismo, o manifesto o caracteriza como “um segundo fenômeno, não menor, porém mais difuso”. E afirma: “Seu impulso traduziu-se desde cedo na pesquisa por um interesse sustentado pelas teorias da escolha racional, mas também, e principalmente, em tempos mais recentes, pela consideração, cada vez mais frequente, da subjetividade dos indivíduos.”
Depois de sua palestra, Calhoun concedeu a seguinte entrevista à Agência FAPESP:
Agência FAPESP  A nova realidade global é muito diferente daquelas nas quais surgiram e se desenvolveram as teorias sociais clássicas, nos séculos XIX e XX, fato enfatizado em sua conferência. Quais são as diferenças mais significativas? 
Craig Calhoun – Algumas das principais diferenças entre o período histórico atual e os anteriores incluem a intensificação da globalização e, nessa intensificação, o maior papel desempenhado pelas finanças. Trata-se não apenas de uma nova configuração do capitalismo em geral, mas, especificamente, do capitalismo financeiro. Outro item é o retorno da geopolítica. Vemos nos conflitos mundiais uma mistura de questões geográficas, políticas, culturais e civilizacionais, que apresentam padrões diferentes daqueles que caracterizavam o período da Guerra Fria. A Guerra Fria, de certa maneira, bloqueava esse tipo de geopolítica, que vemos hoje nas crises da Síria, do Iraque, da Ucrânia e tantas outras.
Outra diferença é a emergência de um capitalismo informal em larga escala. Quando pensamos no setor informal, geralmente pensamos em pequenas unidades produtivas, localizadas em residências, favelas etc. Mas, hoje, a economia informal atingiu uma escala gigantesca, incomparavelmente maior do que aquela que havia antes. Existe, nesse segmento, o narcotráfico e o tráfico humano, mas não apenas isso. Há muitas outras atividades, movimentando grandes somas de dinheiro.
O mundo contemporâneo também é moldado por questões ambientais, em um grau que jamais vimos: as mudanças climáticas globais, a questão dos recursos hídricos e de outros recursos, a poluição e a degradação das periferias das grandes cidades, questões relacionadas com justiça ambiental, quem ganha e quem perde em relação ao meio ambiente.
Finalmente, sublinharia a questão do déficit institucional. Muitas instituições que ajudavam as pessoas a manejar riscos em sua vida ordinária foram corroídas ou perderam financiamento ou enfrentam problemas. Construir e fortalecer instituições que ajudem as pessoas a resolver os problemas em suas vidas são grandes questões em todo o mundo.
Agência FAPESP  A respeito das questões ambientais, o senhor estudou a influência do contexto social no agravamento dos danos causados por desastres naturais. É bastante conhecido seu estudo dessa contextualização no caso do furacão Katrina, de 2005. Eventos extremos como esse tendem a ocorrer com frequência cada vez maior devido às mudanças climáticas globais. Que lições seu estudo do Katrina oferece para o enfrentamento de novas ocorrências? 
Calhoun – De fato, sabemos que as mudanças climáticas tendem a provocar mais eventos extremos, com furacões e outros desastres. Há uma geografia desses eventos que mostra que as áreas costeiras e outras regiões específicas são particularmente vulneráveis. Um importante aspecto dessa geografia diz respeito ao planejamento urbano. Na grande maioria dos casos, não construímos cidades levando em conta como elas poderiam enfrentar eventos desse tipo.
Depois do Katrina, tivemos, em 2012, o furacão Sandy, que impactou fortemente a costa de Nova York. Isso fez com que as pessoas percebessem que o desenvolvimento futuro da cidade de Nova York precisa incluir preparações para eventos desse tipo. Algumas providências, como a instalação de geradores alternativos para produzir eletricidade, não dizem respeito diretamente às Ciências Sociais. Mas outras, como a criação de sistemas de evacuação ou sistemas de atendimento a pessoas desabrigadas, são questões de Ciências Sociais.
Trabalhos como os realizados por agências humanitárias em várias partes do mundo, dando assistência a refugiados por causa de guerras ou desastres naturais, tendem a se tornar cada vez mais importantes, inclusive em países ricos.
Aprendemos com esses eventos que a pobreza e a desigualdade são fatores definidores dos impactos de furacões ou outros desastres. Quando existe água por todos os lados, quem vive nas áreas mais baixas e alagadiças? Os pobres. Quando existe vento por todos os lados, quem vive em construções mais vulneráveis e sujeitas a desabar? Os pobres. A importância das desigualdades foi claramente evidenciada em New Orleans por ocasião do Katrina.
Temos outra importante questão social, que diz respeito às pessoas que vivem sozinhas. Na sociedade contemporânea, há mais pessoas vivendo sozinhas do que em qualquer época anterior. E essas pessoas são especialmente vulneráveis no contexto de desastres.
Agência FAPESP  O senhor trabalhou no Chifre da África, no nordeste do continente. Em que medida essa experiência influenciou suas concepções acerca das mudanças que propõe para as Ciências Sociais? 
Calhoun – Minhas concepções realmente se baseiam em várias experiências internacionais. No caso do Chifre da África, a experiência direta me ensinou o que eu não havia aprendido em livros. Por exemplo, quando estive pela primeira vez no Sudão, no início dos anos 1980, uma das lições que aprendi foi a importância da infraestrutura física. As Ciências Sociais normalmente não prestavam muita atenção à infraestrutura física, como estradas e eletricidade. Mas isso muda a vida social, determina a interconexão entre diferentes partes do país, define a maneira como as pessoas podem trabalhar ou não. Nessa época, o Sudão tinha apenas uma única estrada intermunicipal pavimentada.
Também entendi a relatividade de dados estatísticos, como o Produto Interno Bruto (PIB). No início dos anos 1980, o Sudão tinha um PIB muito próximo ao da Malásia e o Egito possuía um PIB quase igual ao da China. O PIB é um número grosseiramente enganoso. Mesmo naquela época, o Egito não estava em uma posição confortável comparativamente à China. Isso se deve em parte ao fato de que o PIB não computa as heranças históricas, como o fato de que a China possuía uma rede de trabalhadores em todo o país, de que o nível de educação era melhor na China, de que o nível de saúde era melhor na China. Entendi que os indicadores superficiais, como “baixa renda” ou “média renda”, são altamente enganosos. O nível de renda não informa sobre a verdadeira riqueza de um país.
O último ponto que gostaria de ressaltar sobre o Chifre da África, especialmente sobre o Sudão e a Eritreia, é a importância de comunidades e sociedades sob o nível do Estado nacional e através do Estado nacional. Toda a região é um complexo de inter-relações, em que cada país é, em parte, determinado pelos seus vizinhos, em que refugiados e incursões militares atravessam as fronteiras nacionais e abalam fortemente a situação, em que grupos tribais e comunidades originais e linguísticas são muito fortes, e em que não fica muito claro como as pessoas se identificam.
Dou um exemplo do Sudão. Uma comissão constitucional propôs que deveria haver várias línguas nacionais que reconhecessem todas as principais nacionalidades existentes no país. E houve um protesto do povo saho contra a inclusão de sua língua no sistema educacional. Isso era estranho. Por quê? A resposta foi que, se suas crianças fossem educadas em saho, suas oportunidades seriam muito bloqueadas, o que os manteria sempre em estado de subdesenvolvimento. Então, eles pediam educação em árabe. É apenas um exemplo, mas permite perceber quão complicada é a relação entre diferentes identidades, em diferentes escalas.
Agência FAPESP  Isso vem ao encontro de um dos importantes subtemas abordados em sua palestra: a relação entre sociedade e sociedades. Sociedades, com suas características próprias, incluídas na sociedade maior, supostamente representada pelo Estado nacional. Qual o peso desse tipo de relação no atual conflito do Oriente Médio? 
Calhoun – Temo que esse conflito se torne cada vez pior. Há muitas coisas diferentes convergindo nele. Parte da questão são os conflitos religiosos. E lembremos que não são apenas conflitos envolvendo islamismo, cristianismo e judaísmo, mas também conflitos envolvendo xiitas e sunitas e grupos ainda mais específicos no interior do islã. É por isso que o Ocidente não entende muito claramente o que está acontecendo.
Há também uma questão de Estados. Consideramos, por exemplo, o caso do Irã. Existem interesses próprios, não pelo fato de o Irã ser xiita, mas por ser um Estado específico. Há também interesses de povos que não têm um Estado, como os curdos. Um dos poucos vencedores na atual situação são os curdos, que, pela primeira vez, talvez possam formar seu Estado, no norte do Iraque.
Existe a vulnerabilidade das populações minoritárias. Os Estados nacionais são muitas vezes acusados de genocídio, de tentar impor a supremacia da população majoritária. Apesar disso, às vezes, são capazes de proteger minorias e alcançar uma paz relativa. Intervir, como os Estados Unidos fizeram, por meio da Guerra do Iraque, desestabilizando o Estado, também coloca as minorias em risco. E não devemos achar que os Estados nacionais sejam a única fonte de genocidas. A desestabilização em situações em que existem muitos povos diferentes tentando viver em paz uns com os outros também é um fator de genocídios.
A guerra do Iraque foi um desastre não mitigável para a região. Talvez algumas pessoas tenham tido boas intenções, mas foi um desastre, que colocou em movimento uma série de eventos. Esses eventos também têm outras causas, mas, agora, foi criada uma situação muito difícil de pacificar e estabilizar. E uma situação na qual é impossível ver justiça. Se apenas conseguirmos a paz já será um grande passo adiante. Mas não haverá justiça para a maioria dos refugiados, que foram forçados a abandonar suas casas.
Agência FAPESP  Em sua palestra, o senhor criticou o conceito, hoje bastante difundido, de “Tina” (acrônimo para “There is no alternative” – “Não há alternativa”). A situação atual do capitalismo é apresentada como algo tão natural que nos iludimos pensando que ela jamais poderá ser mudada. 
Calhoun – Do meu ponto de vista, uma das primeiras condições para as Ciências Sociais, especialmente para as Ciências Sociais críticas, que eu acredito serem as ciências reais no caso, é reconhecer que “Tina” não é verdade. Quase sempre há alternativas, algumas melhores, outras piores. Se acreditarmos que aquilo que existe atualmente é natural, necessário, inevitável, seremos incapazes de entendê-lo. Não apenas não entenderemos os futuros possíveis, mas também não entenderemos a realidade corrente, porque não entenderemos por que esse conjunto específico de condições existe e não outros. Eu acho que este ponto de vista crítico não é propriedade de nenhuma corrente de pensamento específica. Mas precisamos reconhecer que aquilo que existe é apenas parte do possível, se quisermos entender tanto a realidade corrente como as realidades futuras. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

o precariado e a luta de classe

“A economia mundial encontra‑se em plena Transformação Global, produzindo uma nova estrutura de classes a nível global. Está a surgir uma nova classe – o precariado –, que se caracteriza por incerteza e insegurança crónicas. Embora o precariado esteja ainda em constituição, com divisões no seu seio, os seus elementos encontram­‑se unidos na rejeição das velhas tradições políticas dominantes. Para se tornar uma classe transformadora, no entanto, o precariado necessita de ultrapassar o estádio de rebelião primária manifestado em 2011 e de se constituir como uma classe‑para‑si, capaz de se assumir como força de mudança. Isto implica uma luta pela redistribuição dos bens fundamentais para uma vida boa numa sociedade boa no século xxi – não os “meios de produção”, mas a segurança socioeconómica, o controlo sobre o tempo, espaços de qualidade, conhecimento (ou instrução), saber financeiro e capital financeiro.”

Guy Standing, « O precariado e a luta de classes », Revista Crítica de Ciências Sociais, 103 | 2014, 9-24.

Leia o texto integral

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dossiê - Sociologia Econômica e das Finanças

“Esta edição de lançamento da revista NORUS – Novos Rumos Sociológicos –  é mais um esforço de consolidação do Programa de Pós-Graduação (PPGS) em Sociologia, da Universidade Federal de Pelotas. Trata-se de um momento muito especial, para o Programa, pois estamos concretizando o objetivo de construção de um periódico de difusão de conhecimentos produzidos nos âmbitos nacional e internacional. O primeiro número inclui o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças, organizado pelas pesquisadoras Marina de Souza Sartore (UFG) e Elaine da Silveira Leite(UFPel), além de artigos diversos da grande área das ciências sociais, em especial, da sociologia. Sua vocação dupla, para receber contribuições nacionais e estrangeiras e para divulgar pesquisas em áreas atuais, do conhecimento científico-social, constitui um destaque da política editorial que a NORUS pretende dar continuidade em cada número.

Essa edição apresenta artigos de Michèle Lamont; Géssika Cécilia Carvalho; Marcela Purini Belem e Julio César Donadone; Davide Carbonai, Vinicius de Lara Ribas e Ronaldo Colvero; Deyanira Almazán; e Moisés Kopper, que compõem o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças. O Dossiê é complementado por uma resenha do professor Roberto Grün da obra “The Oxford Handbook of the Sociology of Finance”, de 2012. Além disso, temos a tradução do primeiro capítulo do livro “Teoría y Métodos de la Investigación Social”, obra clássica de referência no ensino de metodologia na América Latina, do sociólogo norueguês Johan Galtung; a transcrição da aula inaugural proferida pelo sociólogo uruguaio Marcos Supervielle no PPGS (UFPel), em 2011; e os  artigos “Política e desenvolvimento no Brasil: a experiência do setor automotivo nos anos 1990” de José Carlos Martines Belieiro Júnior e “Uma análise do sistema de educação superior baseada na teoria dos ”

Para ler a revista:

http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/NORUS/issue/view/234/showToc

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

dilemas estudos de conflitos e controles sociais

Publicação trimestral do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (Necvu) do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do IFCS/UFRJ

>> http://www.dilemas.ifcs.ufrj.br/ <<

último número Vol. 6 - n. 4 - OUT-NOV-DEZ - 2013

Entre as leis e as normas: Éticas corporativas e práticas profissionais na segurança pública e na Justiça Criminal
Roberto Kant de Lima (rkantbr@gmail.com)
Professor da UFF
Várias etnografias sobre a práticas policiais e judiciais em perspectiva comparada (Brasil, Argentina, EUA) revelam padrões de ética policial e judicial orientadores do comportamento da polícia e da Justiça no Brasil. Esses padrões não são conformados pela lei ou por qualquer tipo de norma institucional explícita, como protocolos. São, em vez disso, tornados explícitos apenas quando têm lugar situações ruidosas envolvendo agentes dessas instituições. A discussão desenvolvida neste artigo lança luz sobre as relações entre a aplicação desses padrões éticos e a ausência dediscretion e accountability nos níveis da polícia e do Sistema de Justiça Criminal.
Palavras-chave: éticas policial e judicial, culpabilização x accountability, administração institucional de conflitos, antropologia do direito, método comparativo
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Apontamentos sobre o conflito e os movimentos sociais no Chile
Fernando de la Cuadra (fmdelacuadra@gmail.com)
Pesquisador do LEV e da Rupal
Este artigo reflete sobre as diversas expressões adquiridas pelos os conflitos sociais e pela violência política no Chile democrático durante os sucessivos governos da Concertación de Partidos por la Democracia, assim como durante a atual administração do pacto de centro-direita, liderada pelo presidente Sebastián Piñera. Os problemas sociais e a desigualdade na distribuição da renda têm estimulado protestos e mobilizações de diferentes setores e organizações sociais, laborais, ambientalistas e dos povos originários, aprofundando os antagonismos e a violência política entre esses atores e os governos. Esses conflitos refletem a relação contraditória entre a sociedade civil e o Estado chilenos.
Palavras-chave: conflito social, movimentos sociais, partidos políticos, democracia, governabilidade
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Dilemas morais de amor: Controle, conflitos e negociações em terreiros de umbanda
Kelson Gérison Oliveira Chaves (kelsongok@yahoo.com.br)
Doutorando do PPGCS/UFRN Marcos Alexandre de Souza Queiroz (madesq@hotmail.com) Professor da Secretaria Municipal de Educação de Natal (RN)

O presente texto discute, a partir de uma pesquisa em Limoeiro do Norte, interior do Ceará, dilemas e conflitos morais vivenciados por pessoas que realizam os chamados trabalhos de amor, prática mágico-religiosa muito difundida em terreiros de umbanda pelo Brasil. Colocados em prática para resolver inúmeros problemas amorosos, em alguns casos esses rituais podem visar a separação de um casal ou “forçar” uma pessoa a se apaixonar por outra. É especialmente nessas situações que surgem questões e, ao mesmo tempo, elaboram-se construções sobre o que seria certo ou errado fazer, donde emergem regras de controle moral e tentativas de negociação.
Palavras-chave: amor, umbanda, práticas mágico-religiosas, conflitos morais, trabalhos de amor
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O círculo da punição: O linchamento como cena de acusação e denúncia criminal
Danielle Rodrigues (danielliveira@gmail.com)
Professora da Seeduc
Este artigo dá ênfase à análise da construção social dos linchamentos e à percepção desses eventos como “cena”, dotada de visualidade e dramaturgia próprias. As análises foram possíveis a partir do exame de 42 vídeos brasileiros coletados no site YouTube. A observação dos registros é útil para verificar como os conceitos “acusação”, “denúncia” e “punição” são acionados na prática por um grupo de atores que, mesmo não intencionalmente, os coloca em prática durante todo o linchamento. Nesse casos, é possível perceber a punibilidade sem limites que reifica uma única moral (a do grupo que participa do linchamento), tornando a acusação cabível e tolerada para aquele grupo.
Palavras-chave: linchamento, acusação, punição, YouTube, cena
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O reflexo das relações de gênero no cotidiano da violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes
Cleide Lavoratti (lavoratti@yahoo.com.br)
Professora da UEPG
Luciana Pavowski Silvestre (lupsilvestre@hotmail.com)
Chefe do escritório regional da Seds em Ponta Grossa (PR)
Este trabalho reflete sobre a dinâmica de famílias marcadas pela violência sexual, caracterizando a relação entre seus membros, estabelecendo o elo entre as relações assimétricas de poder entre homens e mulheres (além de desigualdades intergeracionais) e o cotidiano da violência intrafamiliar, em especial de caráter sexual, contra crianças e adolescentes, buscando ainda desmistificar a crença na “omissão da mãe” em relação a essas ocorrências. Geralmente, esse tipo de violência tem lugar em famílias com rompimento das fronteiras intergeracionais e dificuldade de definição de papéis, resultando em resolução de conflitos com a mediação da violência.
Palavras-chave: violência sexual, relações de gênero, criança, adolescente, família
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A ‘mente’ e o homicídio: A gestão da violência no tráfico de drogas em São Paulo

Paulo Artur Malvasi (paulomalvasi@usp.br)
Professor da Uniban e pesquisador do Liesp/FSP/USP
Este artigo examina as táticas proporcionadoras da expansão da influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sua relação com a gestão da violência no ambiente do tráfico de drogas. Apresento os resultados de uma etnografia realizada em dois bairros da periferia de São Paulo. Descrevo o cotidiano de relações econômicas e políticas no contexto específico de tráfico e discuto as concepções nativas sobre as características definidoras do “traficante”, o lugar da violência e da inteligência na gestão dos pontos de venda e a difusão do PCC como o poder orientador do crime. Verifico como o recurso à noção nativa de “mente” compõe um contexto geracional que levou à redução dos índices de homicídios nesses locais nos anos 2000.
Palavras-chave: tráfico de drogas, homicídios, periferia, São Paulo, PCC
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Sobre as manifestações de junho e suas máscaras

Javier Alejandro Lifschitz (javierlifschitz@gmail.com)
Professor da Unirio
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

jornada internacional A ATUALIDADE DA “SOCIOLOGIA ENRAIZADA” DE JOSÉ DE SOUZA MARTINS

Aproveitando o ensejo dos 75 anos de um cientista social que sempre ressaltou o seu tributo criativo à tradição sociológica que se consolidou na Universidade de São Paulo entre os anos de 1930 e a década de 1960, cabe homenagear José de Souza Martins debatendo as especificidades teóricas e metodológicas que asseguram a atualidade da “sociologia enraizada” da qual a sua obra é evidência.

Dia: 19/11/2013
Horário: 08:00 - 20:00

transmissão ao vivo: http://iptv.usp.br/portal/transmission.action?idItem=18797

PROGRAMAÇÂO

9h – Abertura
Maria Arminda do Nascimento Arruda (Pró-Reitora de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo)
Fraya Frehse (Universidade de São Paulo)
9h30-11h - Mesa 1: Fundamentos sociais e teóricos da obra de J. S. Martins
Coordenação: Mônica de Carvalho (Pontifícia Universidade Católica – São Paulo)
Sérgio Adorno (Universidade de São Paulo), Imaginário social e imaginação sociológica
Leonilde Servolo de Medeiros (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro),
Singularidades do capitalismo brasileiro: revisitando um debate e a contribuição de José de Souza Martins.
William Gómez Soto (Universidade Federal de Pelotas),
Dialética, história e imaginação na sociologia de José de Souza Martins
11h–13h - Mesa 2: Sociologia do mundo rural
Coordenação: João Baptista Borges Pereira (Universidade de São Paulo) Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova),
Entre campo e cidade: as pesquisas de José de Souza Martins sobre as migrações no Brasil
Margarida Maria Moura (Universidade de São Paulo),
Pessoa de pensar
Zander Navarro (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), O mundo rural na sociologia de José de Souza Martins
13h–15h – Almoço
15h–17h - Mesa 3: Sociologia da vida cotidiana
Coordenação: Ana Cristina Arantes Nasser (Universidade de São Paulo) Marilia Sposito (Universidade de São Paulo),
A sociologia e a vida cotidiana: a contribuição pioneira de José de Souza Martins
José Machado Pais (Universidade de Lisboa),
A interrogação sociológica: modos de olhar e desvendar Fraya Frehse (Universidade de São Paulo),
A sociologia da margem e suas inovações
17h – 19h - Mesa 4: Sociologia da imagem (fotográfica)
Coordenação: Caio Liudvik (Universidade de São Paulo) Etienne Samain (Universidade Estadual de Campinas), Raízes e asas para as imagens
Antonio Motta (Universidade Federal de Pernambuco),
Nos interstícios do (in)visível: José de Souza Martins e a poética da morte
Carlos Rodrigues Brandão (Universidade Estadual de Campinas), Para além da universidade
19h – Encerramento
Ivan Vilela (Universidade de São Paulo), Recital de viola brasileira
19h30 - Coquetel de lançamento de dois livros de José de Souza Martins: A Sociologia como Aventura – Memórias, Editora Contexto;
Desavessos (Crônicas de poucas palavras), Editora Com Arte,
por ocasião da abertura oficial da exposição fotográfica “Trabalho de Campo”, também de José de Souza Martins, no 1o. andar do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade de São Paulo
Local: Prédio de Ciências Sociais e Filosofia – Universidade de São Paulo (USP) Avenida Prof. Luciano Gualberto, 315 – sala 14
Butantã – São Paulo [Metrô Butantã]
Coordenação e Organização: Fraya Frehse (Departamento de Sociologia – USP)
Patrocínio: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária – USP Comissão de Graduação – FFLCH/USP
Comissão de Pesquisa – FFLCH/USP Departamento de Sociologia – FFLCH/USP
Apoio organizacional: Camilo Flamarion (Síntese Eventos)
Leci Reis (Departamento de Sociologia – USP)
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Espaço - USP

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

programa do XVI CBS

A SBS divulgou a programação definitiva do seu XVI Congresso Brasileiro de Sociologia que será realizado entre os dias 10 e 13 de setembro de 2013 na UFBA. Clique no link abaixo para ter acesso as mesas redondas, grupos de trabalho, fóruns, sessões especiais, mini-cursos e conferências.

Programação geral: http://www.sbs2013.sinteseeventos.com.br/texto.php?id_texto=2

sábado, 23 de fevereiro de 2013

pesquisa sociológica na ufrj

Departamento de Sociologia http://www.ifcs.ufrj.br/~sociologia/
Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana http://www.necvu.ifcs.ufrj.br/Núcleo de Estudos de Sexualidade e Gênero http://www.ifcs.ufrj.br/~nesegNúcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade http://www.ifcs.ufrj.br/csociais/nied/index.htmlNucleo de Pesquisa em Sociologia da Cultura http://www.ifcs.ufrj.br/~nusc/

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sociologias do século 21

No Seminário Internacional Sociologias do Século 21 serão analisadas as transformações socioeconômicas dos países que compõe o BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China). O Global South impulsiona uma geopolítica inédita e, sobretudo, novas dinâmicas em termos de sociabilidades, padrões de vida e participação política. Os processos em curso afetam indivíduos, empresas e nações, potencializam crises, criam impasses, mas, também, apresentam possibilidades de ampliação da democracia e de outras formas de desenvolvimento. O seminário visará aprofundar o conhecimento e o debate sobre estes acontecimentos, considerando os fenômenos em curso a partir da produção de quadros teóricos originais. Eminentes sociólogos da China, India e Africa do Sul e renomados pesquisadores brasileiros apresentarão temas e interpretações qualificadas que compõe parte do mais avançado conhecimento sociológico da atualidade.

Site do evento: http://www.sociologias-21.org/

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

novo portal das ciências sociais brasileiras

imageA criação do Portal das Ciências Sociais Brasileiras foi possível através de um investimento da FINEP no financiamento dos trabalhos desenvolvidos pela ANPOCS que agora estão disponíveis todas as atividades da associação e de seus centros e programas filiados.

Conheça o portal http://anpocs.org/portal/

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Novo-desenvolvimentismo & Sociologia e Esperança

O texto de abertura do primeiro dossiê, assinado pelo economista Carlos Bresser-Pereira, expõe as principais ideias da teoria da macroeconomia estruturalista, que está por trás do conceito de novo-desenvolvimentismo, cunhado pelo autor. Os demais artigos que integram o dossiê aprofundam a discussão sobre a proposta conceitual e contextualizam o crescimento econômico no Brasil e em outros países da América Latina. (Leia entrevista com o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre o novo-desenvolvimentismo.)

Já o dossiê "Sociologia e Esperança", organizado por José de Souza Martins, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, reúne trabalhos apresentados no Seminário Internacional sobre Sociologia e Esperança, realizado em outubro de 2011 na USP.

Assinado por Martins, o texto de apresentação destaca a importância da concepção de esperança para resgatar o lugar da transformação social na sociologia. O dossiê conta com a contribuição de Alfredo Bosi, editor da "Estudos Avançados”, e de Peter Burke, professor de história cultural da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e ex-professor visitante do IEA.

A revista traz ainda três artigos sobre as características, o compartilhamento e a crítica do conhecimento científico.

Para ler a edição da revista: aqui

domingo, 29 de julho de 2012

[em 2013] xvi congresso brasileiro de sociologia

A Sociologia como Artesanato Intelectual é o tema do próximo Congresso Brasileiro de Sociologia

A ser realizado de 30 de julho a 02 de agosto de 2013 na cidade de Salvador, o próximo Congresso da SBS terá como tema A Sociologia como Artesanato Intelectual, expressão cunhada por Charles Wright Mills em fins dos anos 50, em seu famoso e clássico livro A Imaginação Sociológica.

A reflexão de Mills continua atual, mantido integralmente seu forte apelo heurístico: convida-nos a (re)pensar a Sociologia em muitas direções. Crítico de um certo "empirismo abstrato" que permeava sobretudo a sociologia de matriz parsoniana e também de um pragmatismo vulgar que parecia querer nivelar o pensamento sociológico a parâmetros burocráticos da pesquisa, Wright Mills opôs ao formalismo instrumental, um ethos profissional pautado na própria experiência do pesquisador como um artesão do conhecimento. O Artesanato Intelectual implicaria, portanto, em duas importantes características para pensarmos hoje, no Brasil, a formação e atuação profissional do Sociólogo: primeiro, o Artesanato Intelectual exige uma formação curricular densa, plural, madura e contínua. Segundo, não pode prescindir das referências clássicas.

Em tempos de frenéticas buscas por um currículo "competitivo" e de uma rápida ascensão profissional - aspecto que parece ser uma característica inescapável da atual expansão das universidades brasileiras - , nada mais saudável do que refletir sobre o real significado de ser "produtivo" na academia de hoje. Longe daquele acúmulo desenfreado de papers e títulos, o intelectual-artesão busca lapidar ideias e conceitos que venham a contribuir de fato com a produção renovada do conhecimento.

O artesão intelectual não se apressa, mas caminha íntegro e ininterrupto. Sabe que o esmero e a originalidade do seu trabalho exige maturidade e muito conhecimento. Exige tempo! Mais do que isso: reclama uma criatividade que somente a imaginação sociológica, desimpedida do excesso de formalismos e imediatismos, pode prover o intelectual das capacidades necessárias ao exercício inovador da análise sociológica. Não se trata, pois, de acumular mais-valia intelectual (na forma inflacionada de papers e congêneres), mas de produzir algo substantivo que de fato contribua para a ampliação renovada de um conhecimento por si dinâmico e subjetivo.

Uma outra característica do Artesanato Intelectual de Mills é a referência permanente aos clássicos. Em outras palavras: o respeito à melhor tradição do pensamento acumulado e ao saber-fazer daqueles que, na prática artesanal da vida acadêmica, souberam ser mestres do ofício para os aprendizes do saber. Infelizmente, tanto na sociologia quanto na prática profissional, essas dimensões parecem estar francamente em declínio. Poucos parecem praticar uma sociologia verdadeiramente densa no sentido artesanal, em meio aos apelos imediatistas de uma corrida profissional muitas vezes equivocada porque referenciada em parâmetros mais quantitativos do que podemos realmente oferecer.

Por tudo isso a reflexão de Wright Mills parece-nos oportuna e atual em dois sentidos: pelo que ela pode nos fazer (reflexivamente) pensar sobre as condições do exercício profissional da sociologia; e sobre nosso próprio desempenho e contribuição que estamos a dar para o fortalecimento ético e crítico do nosso campo de atuação no mundo contemporâneo.

O XVI Congresso Brasileiro de Sociologia coloca-se, assim, como um fórum criativo e critico dos processos contemporâneos de produção do conhecimento, voltados à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Rogerio Proença Leite
1º Secretário da SBS

sexta-feira, 15 de junho de 2012

revista convergência crítica v1 n1

Dossiê Direitos, Sociedade e Movimentos Sociais

link original para a revista: http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/convergenciacritica/issue/current