quinta-feira, 14 de agosto de 2014

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O papel das Ciências Sociais em um mundo em mudança acelerada

Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Que traços melhor caracterizam o mundo contemporâneo? Entre as grandes mudanças ocorridas no cenário global quais são aquelas que de maneira mais completa definem o tempo presente? Como transitar da perplexidade que essas mudanças inspiram para sua inteligibilidade em grandes quadros interpretativos? Essas foram, resumidamente, as principais indagações que o sociólogo Craig Calhoun procurou responder em palestra realizada em julho na sede da FAPESP, em São Paulo.
Nascido em 1952, o norte-americano Calhoun tornou-se diretor da prestigiosa London School of Economics and Political Science (LSE) em setembro de 2012. Antes disso, dentre várias atividades, desempenhou, nos Estados Unidos, as funções de professor de Ciências Sociais na New York University e de presidente do Social Science Research Council (SSRC), organização independente dedicada ao avanço da pesquisa em Ciências Sociais e áreas afins.
A despeito de ter nascido e se graduado nos Estados Unidos, Calhoun tem conexões antigas com o Reino Unido, pois fez mestrado em Antropologia Social na University of Manchester e doutorado em Sociologia e História Econômica e Social Moderna na University of Oxford. Igualmente determinantes em sua trajetória intelectual foram os trabalhos que realizou em outros países, notadamente na conturbada região do Chifre da África.
Mesmo com o importante cargo que ocupa atualmente, Calhoun faz questão de manter um posicionamento intelectual crítico e um trato pessoal informal e acessível (confira seu blog emhttp://blogs.lse.ac.uk/craig-calhoun/).
A palestra que proferiu na FAPESP foi pautada por um texto que produziu recentemente em parceria com o sociólogo Michel Wieviorka, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, intitulado Manifesto pelas Ciências Sociais (a versão integral pode ser lida em francês emhttp://socio.hypotheses.org/147).
A pergunta feita no início desta apresentação foi assim respondida por Calhoun e Wieviorka em seu manifesto: “Dentre as mudanças que obrigam as Ciências Sociais a transformar seus modos de aproximação, as mais espetaculares podem ser resumidas a duas expressões: a globalização e o individualismo. São duas lógicas que, em conjunto, balizam o espaço no interior do qual a pesquisa cada vez mais é chamada a se mover.”
“A palavra ‘globalização’, em sentido amplo, inclui dimensões econômicas, mas também culturais, religiosas, jurídicas etc. Hoje, numerosos fenômenos abordados pelas Ciências Sociais são ‘globais’, ou suscetíveis de serem observados sob esse ângulo”, prossegue o texto mais à frente.
Quanto ao individualismo, o manifesto o caracteriza como “um segundo fenômeno, não menor, porém mais difuso”. E afirma: “Seu impulso traduziu-se desde cedo na pesquisa por um interesse sustentado pelas teorias da escolha racional, mas também, e principalmente, em tempos mais recentes, pela consideração, cada vez mais frequente, da subjetividade dos indivíduos.”
Depois de sua palestra, Calhoun concedeu a seguinte entrevista à Agência FAPESP:
Agência FAPESP  A nova realidade global é muito diferente daquelas nas quais surgiram e se desenvolveram as teorias sociais clássicas, nos séculos XIX e XX, fato enfatizado em sua conferência. Quais são as diferenças mais significativas? 
Craig Calhoun – Algumas das principais diferenças entre o período histórico atual e os anteriores incluem a intensificação da globalização e, nessa intensificação, o maior papel desempenhado pelas finanças. Trata-se não apenas de uma nova configuração do capitalismo em geral, mas, especificamente, do capitalismo financeiro. Outro item é o retorno da geopolítica. Vemos nos conflitos mundiais uma mistura de questões geográficas, políticas, culturais e civilizacionais, que apresentam padrões diferentes daqueles que caracterizavam o período da Guerra Fria. A Guerra Fria, de certa maneira, bloqueava esse tipo de geopolítica, que vemos hoje nas crises da Síria, do Iraque, da Ucrânia e tantas outras.
Outra diferença é a emergência de um capitalismo informal em larga escala. Quando pensamos no setor informal, geralmente pensamos em pequenas unidades produtivas, localizadas em residências, favelas etc. Mas, hoje, a economia informal atingiu uma escala gigantesca, incomparavelmente maior do que aquela que havia antes. Existe, nesse segmento, o narcotráfico e o tráfico humano, mas não apenas isso. Há muitas outras atividades, movimentando grandes somas de dinheiro.
O mundo contemporâneo também é moldado por questões ambientais, em um grau que jamais vimos: as mudanças climáticas globais, a questão dos recursos hídricos e de outros recursos, a poluição e a degradação das periferias das grandes cidades, questões relacionadas com justiça ambiental, quem ganha e quem perde em relação ao meio ambiente.
Finalmente, sublinharia a questão do déficit institucional. Muitas instituições que ajudavam as pessoas a manejar riscos em sua vida ordinária foram corroídas ou perderam financiamento ou enfrentam problemas. Construir e fortalecer instituições que ajudem as pessoas a resolver os problemas em suas vidas são grandes questões em todo o mundo.
Agência FAPESP  A respeito das questões ambientais, o senhor estudou a influência do contexto social no agravamento dos danos causados por desastres naturais. É bastante conhecido seu estudo dessa contextualização no caso do furacão Katrina, de 2005. Eventos extremos como esse tendem a ocorrer com frequência cada vez maior devido às mudanças climáticas globais. Que lições seu estudo do Katrina oferece para o enfrentamento de novas ocorrências? 
Calhoun – De fato, sabemos que as mudanças climáticas tendem a provocar mais eventos extremos, com furacões e outros desastres. Há uma geografia desses eventos que mostra que as áreas costeiras e outras regiões específicas são particularmente vulneráveis. Um importante aspecto dessa geografia diz respeito ao planejamento urbano. Na grande maioria dos casos, não construímos cidades levando em conta como elas poderiam enfrentar eventos desse tipo.
Depois do Katrina, tivemos, em 2012, o furacão Sandy, que impactou fortemente a costa de Nova York. Isso fez com que as pessoas percebessem que o desenvolvimento futuro da cidade de Nova York precisa incluir preparações para eventos desse tipo. Algumas providências, como a instalação de geradores alternativos para produzir eletricidade, não dizem respeito diretamente às Ciências Sociais. Mas outras, como a criação de sistemas de evacuação ou sistemas de atendimento a pessoas desabrigadas, são questões de Ciências Sociais.
Trabalhos como os realizados por agências humanitárias em várias partes do mundo, dando assistência a refugiados por causa de guerras ou desastres naturais, tendem a se tornar cada vez mais importantes, inclusive em países ricos.
Aprendemos com esses eventos que a pobreza e a desigualdade são fatores definidores dos impactos de furacões ou outros desastres. Quando existe água por todos os lados, quem vive nas áreas mais baixas e alagadiças? Os pobres. Quando existe vento por todos os lados, quem vive em construções mais vulneráveis e sujeitas a desabar? Os pobres. A importância das desigualdades foi claramente evidenciada em New Orleans por ocasião do Katrina.
Temos outra importante questão social, que diz respeito às pessoas que vivem sozinhas. Na sociedade contemporânea, há mais pessoas vivendo sozinhas do que em qualquer época anterior. E essas pessoas são especialmente vulneráveis no contexto de desastres.
Agência FAPESP  O senhor trabalhou no Chifre da África, no nordeste do continente. Em que medida essa experiência influenciou suas concepções acerca das mudanças que propõe para as Ciências Sociais? 
Calhoun – Minhas concepções realmente se baseiam em várias experiências internacionais. No caso do Chifre da África, a experiência direta me ensinou o que eu não havia aprendido em livros. Por exemplo, quando estive pela primeira vez no Sudão, no início dos anos 1980, uma das lições que aprendi foi a importância da infraestrutura física. As Ciências Sociais normalmente não prestavam muita atenção à infraestrutura física, como estradas e eletricidade. Mas isso muda a vida social, determina a interconexão entre diferentes partes do país, define a maneira como as pessoas podem trabalhar ou não. Nessa época, o Sudão tinha apenas uma única estrada intermunicipal pavimentada.
Também entendi a relatividade de dados estatísticos, como o Produto Interno Bruto (PIB). No início dos anos 1980, o Sudão tinha um PIB muito próximo ao da Malásia e o Egito possuía um PIB quase igual ao da China. O PIB é um número grosseiramente enganoso. Mesmo naquela época, o Egito não estava em uma posição confortável comparativamente à China. Isso se deve em parte ao fato de que o PIB não computa as heranças históricas, como o fato de que a China possuía uma rede de trabalhadores em todo o país, de que o nível de educação era melhor na China, de que o nível de saúde era melhor na China. Entendi que os indicadores superficiais, como “baixa renda” ou “média renda”, são altamente enganosos. O nível de renda não informa sobre a verdadeira riqueza de um país.
O último ponto que gostaria de ressaltar sobre o Chifre da África, especialmente sobre o Sudão e a Eritreia, é a importância de comunidades e sociedades sob o nível do Estado nacional e através do Estado nacional. Toda a região é um complexo de inter-relações, em que cada país é, em parte, determinado pelos seus vizinhos, em que refugiados e incursões militares atravessam as fronteiras nacionais e abalam fortemente a situação, em que grupos tribais e comunidades originais e linguísticas são muito fortes, e em que não fica muito claro como as pessoas se identificam.
Dou um exemplo do Sudão. Uma comissão constitucional propôs que deveria haver várias línguas nacionais que reconhecessem todas as principais nacionalidades existentes no país. E houve um protesto do povo saho contra a inclusão de sua língua no sistema educacional. Isso era estranho. Por quê? A resposta foi que, se suas crianças fossem educadas em saho, suas oportunidades seriam muito bloqueadas, o que os manteria sempre em estado de subdesenvolvimento. Então, eles pediam educação em árabe. É apenas um exemplo, mas permite perceber quão complicada é a relação entre diferentes identidades, em diferentes escalas.
Agência FAPESP  Isso vem ao encontro de um dos importantes subtemas abordados em sua palestra: a relação entre sociedade e sociedades. Sociedades, com suas características próprias, incluídas na sociedade maior, supostamente representada pelo Estado nacional. Qual o peso desse tipo de relação no atual conflito do Oriente Médio? 
Calhoun – Temo que esse conflito se torne cada vez pior. Há muitas coisas diferentes convergindo nele. Parte da questão são os conflitos religiosos. E lembremos que não são apenas conflitos envolvendo islamismo, cristianismo e judaísmo, mas também conflitos envolvendo xiitas e sunitas e grupos ainda mais específicos no interior do islã. É por isso que o Ocidente não entende muito claramente o que está acontecendo.
Há também uma questão de Estados. Consideramos, por exemplo, o caso do Irã. Existem interesses próprios, não pelo fato de o Irã ser xiita, mas por ser um Estado específico. Há também interesses de povos que não têm um Estado, como os curdos. Um dos poucos vencedores na atual situação são os curdos, que, pela primeira vez, talvez possam formar seu Estado, no norte do Iraque.
Existe a vulnerabilidade das populações minoritárias. Os Estados nacionais são muitas vezes acusados de genocídio, de tentar impor a supremacia da população majoritária. Apesar disso, às vezes, são capazes de proteger minorias e alcançar uma paz relativa. Intervir, como os Estados Unidos fizeram, por meio da Guerra do Iraque, desestabilizando o Estado, também coloca as minorias em risco. E não devemos achar que os Estados nacionais sejam a única fonte de genocidas. A desestabilização em situações em que existem muitos povos diferentes tentando viver em paz uns com os outros também é um fator de genocídios.
A guerra do Iraque foi um desastre não mitigável para a região. Talvez algumas pessoas tenham tido boas intenções, mas foi um desastre, que colocou em movimento uma série de eventos. Esses eventos também têm outras causas, mas, agora, foi criada uma situação muito difícil de pacificar e estabilizar. E uma situação na qual é impossível ver justiça. Se apenas conseguirmos a paz já será um grande passo adiante. Mas não haverá justiça para a maioria dos refugiados, que foram forçados a abandonar suas casas.
Agência FAPESP  Em sua palestra, o senhor criticou o conceito, hoje bastante difundido, de “Tina” (acrônimo para “There is no alternative” – “Não há alternativa”). A situação atual do capitalismo é apresentada como algo tão natural que nos iludimos pensando que ela jamais poderá ser mudada. 
Calhoun – Do meu ponto de vista, uma das primeiras condições para as Ciências Sociais, especialmente para as Ciências Sociais críticas, que eu acredito serem as ciências reais no caso, é reconhecer que “Tina” não é verdade. Quase sempre há alternativas, algumas melhores, outras piores. Se acreditarmos que aquilo que existe atualmente é natural, necessário, inevitável, seremos incapazes de entendê-lo. Não apenas não entenderemos os futuros possíveis, mas também não entenderemos a realidade corrente, porque não entenderemos por que esse conjunto específico de condições existe e não outros. Eu acho que este ponto de vista crítico não é propriedade de nenhuma corrente de pensamento específica. Mas precisamos reconhecer que aquilo que existe é apenas parte do possível, se quisermos entender tanto a realidade corrente como as realidades futuras. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

o precariado e a luta de classe

“A economia mundial encontra‑se em plena Transformação Global, produzindo uma nova estrutura de classes a nível global. Está a surgir uma nova classe – o precariado –, que se caracteriza por incerteza e insegurança crónicas. Embora o precariado esteja ainda em constituição, com divisões no seu seio, os seus elementos encontram­‑se unidos na rejeição das velhas tradições políticas dominantes. Para se tornar uma classe transformadora, no entanto, o precariado necessita de ultrapassar o estádio de rebelião primária manifestado em 2011 e de se constituir como uma classe‑para‑si, capaz de se assumir como força de mudança. Isto implica uma luta pela redistribuição dos bens fundamentais para uma vida boa numa sociedade boa no século xxi – não os “meios de produção”, mas a segurança socioeconómica, o controlo sobre o tempo, espaços de qualidade, conhecimento (ou instrução), saber financeiro e capital financeiro.”

Guy Standing, « O precariado e a luta de classes », Revista Crítica de Ciências Sociais, 103 | 2014, 9-24.

Leia o texto integral

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dossiê - Sociologia Econômica e das Finanças

“Esta edição de lançamento da revista NORUS – Novos Rumos Sociológicos –  é mais um esforço de consolidação do Programa de Pós-Graduação (PPGS) em Sociologia, da Universidade Federal de Pelotas. Trata-se de um momento muito especial, para o Programa, pois estamos concretizando o objetivo de construção de um periódico de difusão de conhecimentos produzidos nos âmbitos nacional e internacional. O primeiro número inclui o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças, organizado pelas pesquisadoras Marina de Souza Sartore (UFG) e Elaine da Silveira Leite(UFPel), além de artigos diversos da grande área das ciências sociais, em especial, da sociologia. Sua vocação dupla, para receber contribuições nacionais e estrangeiras e para divulgar pesquisas em áreas atuais, do conhecimento científico-social, constitui um destaque da política editorial que a NORUS pretende dar continuidade em cada número.

Essa edição apresenta artigos de Michèle Lamont; Géssika Cécilia Carvalho; Marcela Purini Belem e Julio César Donadone; Davide Carbonai, Vinicius de Lara Ribas e Ronaldo Colvero; Deyanira Almazán; e Moisés Kopper, que compõem o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças. O Dossiê é complementado por uma resenha do professor Roberto Grün da obra “The Oxford Handbook of the Sociology of Finance”, de 2012. Além disso, temos a tradução do primeiro capítulo do livro “Teoría y Métodos de la Investigación Social”, obra clássica de referência no ensino de metodologia na América Latina, do sociólogo norueguês Johan Galtung; a transcrição da aula inaugural proferida pelo sociólogo uruguaio Marcos Supervielle no PPGS (UFPel), em 2011; e os  artigos “Política e desenvolvimento no Brasil: a experiência do setor automotivo nos anos 1990” de José Carlos Martines Belieiro Júnior e “Uma análise do sistema de educação superior baseada na teoria dos ”

Para ler a revista:

http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/NORUS/issue/view/234/showToc

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

dilemas estudos de conflitos e controles sociais

Publicação trimestral do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (Necvu) do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do IFCS/UFRJ

>> http://www.dilemas.ifcs.ufrj.br/ <<

último número Vol. 6 - n. 4 - OUT-NOV-DEZ - 2013

Entre as leis e as normas: Éticas corporativas e práticas profissionais na segurança pública e na Justiça Criminal
Roberto Kant de Lima (rkantbr@gmail.com)
Professor da UFF
Várias etnografias sobre a práticas policiais e judiciais em perspectiva comparada (Brasil, Argentina, EUA) revelam padrões de ética policial e judicial orientadores do comportamento da polícia e da Justiça no Brasil. Esses padrões não são conformados pela lei ou por qualquer tipo de norma institucional explícita, como protocolos. São, em vez disso, tornados explícitos apenas quando têm lugar situações ruidosas envolvendo agentes dessas instituições. A discussão desenvolvida neste artigo lança luz sobre as relações entre a aplicação desses padrões éticos e a ausência dediscretion e accountability nos níveis da polícia e do Sistema de Justiça Criminal.
Palavras-chave: éticas policial e judicial, culpabilização x accountability, administração institucional de conflitos, antropologia do direito, método comparativo
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Apontamentos sobre o conflito e os movimentos sociais no Chile
Fernando de la Cuadra (fmdelacuadra@gmail.com)
Pesquisador do LEV e da Rupal
Este artigo reflete sobre as diversas expressões adquiridas pelos os conflitos sociais e pela violência política no Chile democrático durante os sucessivos governos da Concertación de Partidos por la Democracia, assim como durante a atual administração do pacto de centro-direita, liderada pelo presidente Sebastián Piñera. Os problemas sociais e a desigualdade na distribuição da renda têm estimulado protestos e mobilizações de diferentes setores e organizações sociais, laborais, ambientalistas e dos povos originários, aprofundando os antagonismos e a violência política entre esses atores e os governos. Esses conflitos refletem a relação contraditória entre a sociedade civil e o Estado chilenos.
Palavras-chave: conflito social, movimentos sociais, partidos políticos, democracia, governabilidade
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Dilemas morais de amor: Controle, conflitos e negociações em terreiros de umbanda
Kelson Gérison Oliveira Chaves (kelsongok@yahoo.com.br)
Doutorando do PPGCS/UFRN Marcos Alexandre de Souza Queiroz (madesq@hotmail.com) Professor da Secretaria Municipal de Educação de Natal (RN)

O presente texto discute, a partir de uma pesquisa em Limoeiro do Norte, interior do Ceará, dilemas e conflitos morais vivenciados por pessoas que realizam os chamados trabalhos de amor, prática mágico-religiosa muito difundida em terreiros de umbanda pelo Brasil. Colocados em prática para resolver inúmeros problemas amorosos, em alguns casos esses rituais podem visar a separação de um casal ou “forçar” uma pessoa a se apaixonar por outra. É especialmente nessas situações que surgem questões e, ao mesmo tempo, elaboram-se construções sobre o que seria certo ou errado fazer, donde emergem regras de controle moral e tentativas de negociação.
Palavras-chave: amor, umbanda, práticas mágico-religiosas, conflitos morais, trabalhos de amor
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O círculo da punição: O linchamento como cena de acusação e denúncia criminal
Danielle Rodrigues (danielliveira@gmail.com)
Professora da Seeduc
Este artigo dá ênfase à análise da construção social dos linchamentos e à percepção desses eventos como “cena”, dotada de visualidade e dramaturgia próprias. As análises foram possíveis a partir do exame de 42 vídeos brasileiros coletados no site YouTube. A observação dos registros é útil para verificar como os conceitos “acusação”, “denúncia” e “punição” são acionados na prática por um grupo de atores que, mesmo não intencionalmente, os coloca em prática durante todo o linchamento. Nesse casos, é possível perceber a punibilidade sem limites que reifica uma única moral (a do grupo que participa do linchamento), tornando a acusação cabível e tolerada para aquele grupo.
Palavras-chave: linchamento, acusação, punição, YouTube, cena
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O reflexo das relações de gênero no cotidiano da violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes
Cleide Lavoratti (lavoratti@yahoo.com.br)
Professora da UEPG
Luciana Pavowski Silvestre (lupsilvestre@hotmail.com)
Chefe do escritório regional da Seds em Ponta Grossa (PR)
Este trabalho reflete sobre a dinâmica de famílias marcadas pela violência sexual, caracterizando a relação entre seus membros, estabelecendo o elo entre as relações assimétricas de poder entre homens e mulheres (além de desigualdades intergeracionais) e o cotidiano da violência intrafamiliar, em especial de caráter sexual, contra crianças e adolescentes, buscando ainda desmistificar a crença na “omissão da mãe” em relação a essas ocorrências. Geralmente, esse tipo de violência tem lugar em famílias com rompimento das fronteiras intergeracionais e dificuldade de definição de papéis, resultando em resolução de conflitos com a mediação da violência.
Palavras-chave: violência sexual, relações de gênero, criança, adolescente, família
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A ‘mente’ e o homicídio: A gestão da violência no tráfico de drogas em São Paulo

Paulo Artur Malvasi (paulomalvasi@usp.br)
Professor da Uniban e pesquisador do Liesp/FSP/USP
Este artigo examina as táticas proporcionadoras da expansão da influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sua relação com a gestão da violência no ambiente do tráfico de drogas. Apresento os resultados de uma etnografia realizada em dois bairros da periferia de São Paulo. Descrevo o cotidiano de relações econômicas e políticas no contexto específico de tráfico e discuto as concepções nativas sobre as características definidoras do “traficante”, o lugar da violência e da inteligência na gestão dos pontos de venda e a difusão do PCC como o poder orientador do crime. Verifico como o recurso à noção nativa de “mente” compõe um contexto geracional que levou à redução dos índices de homicídios nesses locais nos anos 2000.
Palavras-chave: tráfico de drogas, homicídios, periferia, São Paulo, PCC
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Sobre as manifestações de junho e suas máscaras

Javier Alejandro Lifschitz (javierlifschitz@gmail.com)
Professor da Unirio
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

jornada internacional A ATUALIDADE DA “SOCIOLOGIA ENRAIZADA” DE JOSÉ DE SOUZA MARTINS

Aproveitando o ensejo dos 75 anos de um cientista social que sempre ressaltou o seu tributo criativo à tradição sociológica que se consolidou na Universidade de São Paulo entre os anos de 1930 e a década de 1960, cabe homenagear José de Souza Martins debatendo as especificidades teóricas e metodológicas que asseguram a atualidade da “sociologia enraizada” da qual a sua obra é evidência.

Dia: 19/11/2013
Horário: 08:00 - 20:00

transmissão ao vivo: http://iptv.usp.br/portal/transmission.action?idItem=18797

PROGRAMAÇÂO

9h – Abertura
Maria Arminda do Nascimento Arruda (Pró-Reitora de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo)
Fraya Frehse (Universidade de São Paulo)
9h30-11h - Mesa 1: Fundamentos sociais e teóricos da obra de J. S. Martins
Coordenação: Mônica de Carvalho (Pontifícia Universidade Católica – São Paulo)
Sérgio Adorno (Universidade de São Paulo), Imaginário social e imaginação sociológica
Leonilde Servolo de Medeiros (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro),
Singularidades do capitalismo brasileiro: revisitando um debate e a contribuição de José de Souza Martins.
William Gómez Soto (Universidade Federal de Pelotas),
Dialética, história e imaginação na sociologia de José de Souza Martins
11h–13h - Mesa 2: Sociologia do mundo rural
Coordenação: João Baptista Borges Pereira (Universidade de São Paulo) Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova),
Entre campo e cidade: as pesquisas de José de Souza Martins sobre as migrações no Brasil
Margarida Maria Moura (Universidade de São Paulo),
Pessoa de pensar
Zander Navarro (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), O mundo rural na sociologia de José de Souza Martins
13h–15h – Almoço
15h–17h - Mesa 3: Sociologia da vida cotidiana
Coordenação: Ana Cristina Arantes Nasser (Universidade de São Paulo) Marilia Sposito (Universidade de São Paulo),
A sociologia e a vida cotidiana: a contribuição pioneira de José de Souza Martins
José Machado Pais (Universidade de Lisboa),
A interrogação sociológica: modos de olhar e desvendar Fraya Frehse (Universidade de São Paulo),
A sociologia da margem e suas inovações
17h – 19h - Mesa 4: Sociologia da imagem (fotográfica)
Coordenação: Caio Liudvik (Universidade de São Paulo) Etienne Samain (Universidade Estadual de Campinas), Raízes e asas para as imagens
Antonio Motta (Universidade Federal de Pernambuco),
Nos interstícios do (in)visível: José de Souza Martins e a poética da morte
Carlos Rodrigues Brandão (Universidade Estadual de Campinas), Para além da universidade
19h – Encerramento
Ivan Vilela (Universidade de São Paulo), Recital de viola brasileira
19h30 - Coquetel de lançamento de dois livros de José de Souza Martins: A Sociologia como Aventura – Memórias, Editora Contexto;
Desavessos (Crônicas de poucas palavras), Editora Com Arte,
por ocasião da abertura oficial da exposição fotográfica “Trabalho de Campo”, também de José de Souza Martins, no 1o. andar do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade de São Paulo
Local: Prédio de Ciências Sociais e Filosofia – Universidade de São Paulo (USP) Avenida Prof. Luciano Gualberto, 315 – sala 14
Butantã – São Paulo [Metrô Butantã]
Coordenação e Organização: Fraya Frehse (Departamento de Sociologia – USP)
Patrocínio: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária – USP Comissão de Graduação – FFLCH/USP
Comissão de Pesquisa – FFLCH/USP Departamento de Sociologia – FFLCH/USP
Apoio organizacional: Camilo Flamarion (Síntese Eventos)
Leci Reis (Departamento de Sociologia – USP)
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Espaço - USP

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

programa do XVI CBS

A SBS divulgou a programação definitiva do seu XVI Congresso Brasileiro de Sociologia que será realizado entre os dias 10 e 13 de setembro de 2013 na UFBA. Clique no link abaixo para ter acesso as mesas redondas, grupos de trabalho, fóruns, sessões especiais, mini-cursos e conferências.

Programação geral: http://www.sbs2013.sinteseeventos.com.br/texto.php?id_texto=2

sábado, 23 de fevereiro de 2013

pesquisa sociológica na ufrj

Departamento de Sociologia http://www.ifcs.ufrj.br/~sociologia/
Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana http://www.necvu.ifcs.ufrj.br/Núcleo de Estudos de Sexualidade e Gênero http://www.ifcs.ufrj.br/~nesegNúcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade http://www.ifcs.ufrj.br/csociais/nied/index.htmlNucleo de Pesquisa em Sociologia da Cultura http://www.ifcs.ufrj.br/~nusc/

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sociologias do século 21

No Seminário Internacional Sociologias do Século 21 serão analisadas as transformações socioeconômicas dos países que compõe o BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China). O Global South impulsiona uma geopolítica inédita e, sobretudo, novas dinâmicas em termos de sociabilidades, padrões de vida e participação política. Os processos em curso afetam indivíduos, empresas e nações, potencializam crises, criam impasses, mas, também, apresentam possibilidades de ampliação da democracia e de outras formas de desenvolvimento. O seminário visará aprofundar o conhecimento e o debate sobre estes acontecimentos, considerando os fenômenos em curso a partir da produção de quadros teóricos originais. Eminentes sociólogos da China, India e Africa do Sul e renomados pesquisadores brasileiros apresentarão temas e interpretações qualificadas que compõe parte do mais avançado conhecimento sociológico da atualidade.

Site do evento: http://www.sociologias-21.org/

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

novo portal das ciências sociais brasileiras

imageA criação do Portal das Ciências Sociais Brasileiras foi possível através de um investimento da FINEP no financiamento dos trabalhos desenvolvidos pela ANPOCS que agora estão disponíveis todas as atividades da associação e de seus centros e programas filiados.

Conheça o portal http://anpocs.org/portal/

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Novo-desenvolvimentismo & Sociologia e Esperança

O texto de abertura do primeiro dossiê, assinado pelo economista Carlos Bresser-Pereira, expõe as principais ideias da teoria da macroeconomia estruturalista, que está por trás do conceito de novo-desenvolvimentismo, cunhado pelo autor. Os demais artigos que integram o dossiê aprofundam a discussão sobre a proposta conceitual e contextualizam o crescimento econômico no Brasil e em outros países da América Latina. (Leia entrevista com o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre o novo-desenvolvimentismo.)

Já o dossiê "Sociologia e Esperança", organizado por José de Souza Martins, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, reúne trabalhos apresentados no Seminário Internacional sobre Sociologia e Esperança, realizado em outubro de 2011 na USP.

Assinado por Martins, o texto de apresentação destaca a importância da concepção de esperança para resgatar o lugar da transformação social na sociologia. O dossiê conta com a contribuição de Alfredo Bosi, editor da "Estudos Avançados”, e de Peter Burke, professor de história cultural da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e ex-professor visitante do IEA.

A revista traz ainda três artigos sobre as características, o compartilhamento e a crítica do conhecimento científico.

Para ler a edição da revista: aqui

domingo, 29 de julho de 2012

[em 2013] xvi congresso brasileiro de sociologia

A Sociologia como Artesanato Intelectual é o tema do próximo Congresso Brasileiro de Sociologia

A ser realizado de 30 de julho a 02 de agosto de 2013 na cidade de Salvador, o próximo Congresso da SBS terá como tema A Sociologia como Artesanato Intelectual, expressão cunhada por Charles Wright Mills em fins dos anos 50, em seu famoso e clássico livro A Imaginação Sociológica.

A reflexão de Mills continua atual, mantido integralmente seu forte apelo heurístico: convida-nos a (re)pensar a Sociologia em muitas direções. Crítico de um certo "empirismo abstrato" que permeava sobretudo a sociologia de matriz parsoniana e também de um pragmatismo vulgar que parecia querer nivelar o pensamento sociológico a parâmetros burocráticos da pesquisa, Wright Mills opôs ao formalismo instrumental, um ethos profissional pautado na própria experiência do pesquisador como um artesão do conhecimento. O Artesanato Intelectual implicaria, portanto, em duas importantes características para pensarmos hoje, no Brasil, a formação e atuação profissional do Sociólogo: primeiro, o Artesanato Intelectual exige uma formação curricular densa, plural, madura e contínua. Segundo, não pode prescindir das referências clássicas.

Em tempos de frenéticas buscas por um currículo "competitivo" e de uma rápida ascensão profissional - aspecto que parece ser uma característica inescapável da atual expansão das universidades brasileiras - , nada mais saudável do que refletir sobre o real significado de ser "produtivo" na academia de hoje. Longe daquele acúmulo desenfreado de papers e títulos, o intelectual-artesão busca lapidar ideias e conceitos que venham a contribuir de fato com a produção renovada do conhecimento.

O artesão intelectual não se apressa, mas caminha íntegro e ininterrupto. Sabe que o esmero e a originalidade do seu trabalho exige maturidade e muito conhecimento. Exige tempo! Mais do que isso: reclama uma criatividade que somente a imaginação sociológica, desimpedida do excesso de formalismos e imediatismos, pode prover o intelectual das capacidades necessárias ao exercício inovador da análise sociológica. Não se trata, pois, de acumular mais-valia intelectual (na forma inflacionada de papers e congêneres), mas de produzir algo substantivo que de fato contribua para a ampliação renovada de um conhecimento por si dinâmico e subjetivo.

Uma outra característica do Artesanato Intelectual de Mills é a referência permanente aos clássicos. Em outras palavras: o respeito à melhor tradição do pensamento acumulado e ao saber-fazer daqueles que, na prática artesanal da vida acadêmica, souberam ser mestres do ofício para os aprendizes do saber. Infelizmente, tanto na sociologia quanto na prática profissional, essas dimensões parecem estar francamente em declínio. Poucos parecem praticar uma sociologia verdadeiramente densa no sentido artesanal, em meio aos apelos imediatistas de uma corrida profissional muitas vezes equivocada porque referenciada em parâmetros mais quantitativos do que podemos realmente oferecer.

Por tudo isso a reflexão de Wright Mills parece-nos oportuna e atual em dois sentidos: pelo que ela pode nos fazer (reflexivamente) pensar sobre as condições do exercício profissional da sociologia; e sobre nosso próprio desempenho e contribuição que estamos a dar para o fortalecimento ético e crítico do nosso campo de atuação no mundo contemporâneo.

O XVI Congresso Brasileiro de Sociologia coloca-se, assim, como um fórum criativo e critico dos processos contemporâneos de produção do conhecimento, voltados à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Rogerio Proença Leite
1º Secretário da SBS

sexta-feira, 15 de junho de 2012

revista convergência crítica v1 n1

Dossiê Direitos, Sociedade e Movimentos Sociais

link original para a revista: http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/convergenciacritica/issue/current

terça-feira, 12 de junho de 2012

mestrado e doutorado sociologia unb

O Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília publicou edital de seleção para candidaturas ao mestrado e doutorado com entrada em 2013.

As inscrições para o processo seletivo de candidatos/as ao(s) curso(s) de Doutorado e Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-graduação em Sociologia, para o primeiro período letivo de 2013, deverão ser efetuadas pessoalmente pelo/a interessado/a, ou por procurador/a devidamente constituído/a, nos dias úteis do período de 30/06/2012 a 29/07/2012 para mestrado e 17/08/2012 a 17/09/2012 para o doutorado  em caráter improrrogável no horário das 8hs às 16hs no seguinte endereço: Universidade de Brasília, Secretaria da Coordenação de Pós-Graduação em Sociologia, Campus Darcy Ribeiro, Departamento de Sociologia, Universidade de Brasília, CEP 70910-900, Brasília-DF.

Baixe o edital completo aqui

sábado, 26 de maio de 2012

III encontro sbs norte 2012

O III Encontro da Região Norte da Sociedade Brasileira de Sociologia a ser realizado de 26 a 28 de setembro de 2012, em Manaus, no campus da Universidade Federal do Amazonas, pretende reunir estudantes e docentes da graduação e da pós-graduação e profissionais da área da sociologia, de instituições púbicas e privadas, com o objetivo de promover o intercâmbio entre os pesquisadores brasileiros, destacando a importância da troca de idéias e do encontro do conhecimento sociológico produzido na Amazônia e nas diversas regiões brasileiras.

Com a expectativa de reunir um público aproximado de 400 pessoas, o III Encontro Norte integra a programação acadêmico-científica da SBS que, ao realizá-lo contribui decisivamente para o esforço de fortalecimento e consolidação do processo de expansão e institucionalização da sociologia na região norte intensificado em anos recentes com a criação, em geral pelas Instituições Federais de Ensino (IFES), de cursos de graduação em ciências sociais e, mais especificamente, de programas de pós-graduação em sociologia.

Importante espaço receptor de debates, os Encontros Norte da SBS, bianuais, tiveram início em 2008, com a realização, em setembro daquele ano, em Manaus, do I Encontro Norte. Em setembro de 2010, teve lugar, em Belém, o II Encontro Norte. Os temas dos I e II Encontros Norte procuraram colocar em evidência a urgência de novas abordagens teórico-metodológicas na análise e compreensão das sociedades amazônicas no século XXI. Assim, “Amazônia: em busca de novas abordagens”, foi o tema do I Encontro Norte e “Amazônias: mudanças sociais e perspectivas para o século XXI”, o do II Encontro.

Em sua terceira edição, o Encontro tem como propósitos dar continuidade à equalização da produção sociológica do Brasil com a produção sociológica da Região Norte, fortalecer os vívculos da SBS com as Universidades amazônicas, dar visibilidade ao conhecimento acumulado pelos pesquisadores do norte brasileiro sobre os processos em curso na Amazônia contemporânea, estimular o intercâmbio entre pesquisadores e discentes dos distintos Cursos e Programas de Pós-Graduação em Sociologia/Ciências Sociais situados nesta região e nos demais estados do Brasil, assim como o intercâmbio da produção acadêmico-científica e o desenvolvimento de estudos comparados. Pretende ainda, discutir o processo de implantação da Sociologia no Ensino Médio no Brasil e, em particular, nas escolas da Amazônia, oportunizando a discussão sobre o campo de atuação profissional do sociólogo na região, com foco sobre a inserção deste profissional no âmbito da esfera pública (governamental) e privada.

Para ler o edital:   3º SBS Norte

Inscrições: http://www.sisgeenco.kinghost.net/sistema/sbsnorte/sbsnorte2012/

quarta-feira, 11 de abril de 2012

rev sociologia e política vol20 no41 2012

Neste número a Revista de Sociologia e Política apresenta somente artigos variados, começando com uma tradução de Loïc Wacquant, em que o autor atribui a expansão do chamado "Estado penal" à difusão do neoliberalismo. Na seqüência, Francisco Jamil Marques trata de uma questão teórica bastante atual: como fica a participação política na democracia deliberativa?

Passamos então a uma interessante série de estudos empíricos. Flávio da Cunha Rezende faz uma análise comparativa sobre modelos tradicionais a respeito de mudança institucional. Já Luiz Augusto Campos aborda a maneira como os cientistas sociais posicionaram-se – e têm-se posicionado – nos grandes meios de comunicação a respeito das cotas raciais. José Alexandre Hage trata da política energética brasileira, a partir do prisma de um Estado em desenvolvimento enfrentando os desafios próprios à globalização. Clayton Mendonça Cunha discute como é que o Partido Republicano, nos Estados Unidos, posicionaram-se ao longo do tempo a respeito dos impostos, em particular movendo-se de uma perspectiva nacional-desenvolvimentista para uma neoliberal.

Na seqüência, Odaci Coradini trata da importância que a titulação escolar e as categorias socioprofissionais têm nas disputas eleitorais. Da mesma forma, a respeito de campanhas eleitorais, Pedro Santos Mundim aborda o papel da imprensa nas eleições presidenciais brasileiras de 2002 e de 2006. Luciano Da Ros faz duas grandes comparações históricas sobre as carreiras dos altos magistrados no Brasil e nos Estados Unidos, entre os séculos XVIII e XXI; Pedro Neiva e Maurício Izumi pesquisam a formação acadêmica dos senadores brasileiros, bem como suas origens sociais e profissionais.

Fabrício Tomio e Paolo Ricci investigam a atuação governamental das casas legislativas estaduais no Brasil. Riberti de Almeida Felisbino, Rodolpho Bernabel e Maria Teresa Kerbauy pesquisam os processos e critérios de seleção dos candidatos a Prefeito das capitais brasileiras em 2008; por fim, Lúcio Rennó e Aílton Souza verificam de que maneira o orçamento participativo modificou as estruturas e as práticas governativas em Porto Alegre, desde que foi implantado lá.

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A Revista de Sociologia e Política integra o Programa de Apoio a Periódicos da Universidade Federal do Paraná e conta com seu patrocínio, bem como do curso de Especialização em Sociologia Política do Departamento de Ciências Sociais da mesma instituição, além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), aos quais expressamos nossos sinceros agradecimentos.

Gustavo Biscaia de Lacerda

Editor

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sábado, 31 de março de 2012

boa notícia: chegou o SciElo Livros

scielolivros

A Rede SciELO Livros visa a publicação online de coleções nacionais e temáticas de livros acadêmicos com o objetivo de maximizar a visibilidade, acessibilidade, uso e impacto das pesquisas, ensaios e estudos que publicam. Os livros publicados pelo SciELO Livros são selecionados segundo controles de qualidade aplicados por um comitê científico e os textos em formato digital  são preparados segundo padrões internacionais que permitem o controle de acesso e de citações e são legíveis nos leitores de ebooks, tablets, smartphones e telas de computador. Além do Portal SciELO Livros as obras serão acessíveis por meio dos buscadores da Web e serão publicados também por portais e serviços de referência internacional.

Acesse aqui.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

a experiência precoce de punição

ADORNO, Sérgio. "A experiência precoce da punição”. In: Martins, José de Souza (coord.). O massacre dos inocentes. A criança sem infância no Brasil. (2ª ed.: 1993). São Paulo: Hucitec, 1991, pp. 181-208 (ISBN 85-271-0164-5) (D); versão em italiano: “La precoce experienza della punizioni”. In: Martins, José de Souza (org.). L´infanzia negata. Chieti Scalo: Vecchio Faggio, 1991, pp. 201-233

baixar:Versão em PDF

corpos em concerto: diferenças, desigualdades e desconformidades

Clique aqui para baixar o livro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

código de ética da sociedade brasileira de sociologia


O Código de Ética da  Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) baseia-se no Código de Ética da International Sociological Association, da qual a SBS é sócia, orientando-se por tais princípios e padrões de conduta. Não é um código exaustivo, nem rígido. Nele foram priorizadas as atividades de pesquisa e de comunicação dos seus resultados. O fato de um determinado comportamento não ter sido previsto pelo código de ética da SBS não significa que ele seja ético ou destituído de ética.

Parte das atividades de sociólogos (as) consiste em elaborar um corpo válido de conhecimento científico baseado em pesquisas, contribuindo para o desenvolvimento da condição humana. Essas atividades compreendem a interação com outros profissionais da mesma área ou de outras, estudantes, técnicos, administradores, assessores, patrocinadores, bem como membros da sociedade que procuram estudar.

As finalidades primordiais do Código de Ética são: (1) proteger o bem-estar de grupos e indivíduos com quem sociólogos (as) trabalham e que tomam parte no processo de pesquisa; (2) fornecer guias de comportamento para sociólogos (as) entre colegas de profissão, na interação com membros das instituições onde trabalham, e no relacionamento com equipes de pesquisa, e com a sociedade em geral, que pautem as expectativas dos membros da SBS, com base em princípios éticos. O sociólogo (a) deve torná-los conhecidos para que venham a serem respeitados. Cada sociólogo (a) deve suplementar o presente código de ética com base em seus próprios valores e experiência, complementando, sem violar, as normas do Código de Ética. Constitui responsabilidade individual manter o mais alto padrão de comportamento ético.

A Sociologia como campo de estudos e de prática científica

Como cientistas sociais, sociólogos (as) devem cooperar com base na correção científica, sem discriminação com base em sexo, raça, preferências sexuais, idade, religião ou opções políticas. Trabalho em grupo, cooperação e intercâmbio entre sociólogos (as) são atividades necessárias para o progresso da Sociologia. Espera-se que sociólogos (as) participem em debates, apresentando e discutindo o próprio trabalho, bem como o de colegas.

Sociólogos devem estar cientes do fato de que seus pressupostos podem causar um impacto na sociedade. Por conseqüência sociólogos (as) devem manter uma atitude destituída de vieses ou preconceitos, procurando tornar explícitos, tanto o caráter tentativo de suas generalizações com base nos resultados de pesquisas, bem como seus pressupostos e posições ideológicas. Nenhum pressuposto sociológico deve ser apresentado como verdade indisputável.

Sociólogos (as) devem procurar manter a integridade e a imagem de sua própria disciplina. Isso não implica que devem deixar de lado uma atitude crítica em relação a seus pressupostos, métodos e resultados. Os princípios de abertura, crítica e respeito por todas as perspectivas científicas devem ser seguidos por todos nas suas atividades profissionais e de ensino da Sociologia. Sociólogos (as) devem proteger os direitos de seus informantes, bem como de estudantes e de membros das equipes de trabalho. Conflito de interesses Sociólogos(as) orientam-se pela ética profissional, evitando conflitos de interesse que enviesem seu trabalho. Previnem-se de situações nas quais o interesse pessoal ou financeiro possa interferir nas atividades, declinando de realizá-las.

Plágio

Sociólogos(as) explicitamente fornecem créditos e referências autorais quando eles(as) utilizam dados ou materiais de trabalhos escritos por outras pessoas, tenham estes sido publicados ou não, estejam impressos ou em meios eletrônicos.

Pareceres

Ao elaborarem pareceres ad hoc, sociólogos(as) não se apropriam de idéias contidas nos trabalhos submetidos à apreciação, a não ser que seja identificada a fonte e dados os créditos. Os pareceres são sigilosos, seguindo critérios de confidencialidade e de respeito aos direitos autorais. Os pareceristas não devem, em hipótese nenhuma, basear-se em posições pessoais ou de opinião política para emiti-los. Nos casos de conflito de interesses, os pareceristas declinam de apreciar o trabalho.

Patrocinadores

Atividades de pesquisa em sociologia geralmente dependem de recursos públicos ou privados e, portanto, de patrocínio. Patrocinadores públicos ou privados podem estar interessados nos resultados da investigação. Sociólogos não devem aceitar dotações ou contratos que especifiquem condições inconsistentes com o seu julgamento científico ou com os meios apropriados de conduzir a pesquisa em questão, ou permitir que patrocinadores censurem ou atrasem a publicação dos resultados por não gostarem dos mesmos.

Patrocinadores devem ser antecipadamente informados sobre as diretrizes gerais dos projetos de pesquisa, bem como sobre os métodos que os pesquisadores desejam adotar. Patrocinadores devem ser informados do risco de os resultados de pesquisa  não se conformarem às suas expectativas.

Pesquisadores públicos ou privados podem estar interessados em patrocinar pesquisas para as suas finalidades políticas. Sociólogos (as) quer estejam ou não de acordo com esses objetivos, não devem a eles se subordinar, preservando a autonomia científica. Eles devem se abster, ainda, de cooperar com objetivos antidemocráticos e discriminatórios.

As condições de trabalho científico estabelecidas entre pesquisadores (as) e patrocinadores (as) devem ser preferencialmente efetuadas por escrito. Consentimento informado: Na condução de pesquisas sociólogos (as) devem informar os (as) participantes sobre a natureza da pesquisa que está sendo efetuada, a responsabilidade sobre a mesma, fontes de patrocínio e de apoio institucional.

Sociólogos e sociólogas devem informar aos participantes em pesquisa sobre o caráter voluntário dessa participação, garantindo-lhes a confidencialidade das informações e possibilitando que efetuem perguntas e esclareçam dúvidas sobre a investigação e recebendo os esclarecimentos solicitados sobre a mesma.

Sociólogos (as) conduzindo pesquisas necessitam obter o consentimento de participantes na investigação ou de seus representantes legais todas as vezes nas quais dados forem coletados por meio de qualquer instrumento de comunicação, interação ou intervenção,

O consentimento de participantes deve ser obtido todas as vezes nas quais o comportamento dos mesmos seja apreendido em âmbito privado, e quando estes não tenham conhecimento de que seu comportamento esteja sendo observado ou relatado

Sociólogos podem conduzir pesquisas em locais públicos ou usar informações públicas em suas pesquisas, sem necessidade de solicitar o consentimento prévio de participantes nesses locais. Quando for necessário solicitar consentimento informado para conduzir a pesquisa, isto será feito oralmente e/ou por escrito. Ao informar sobre o caráter voluntário da participação na pesquisa, sociólogos (as) devem informar aos participantes que nenhuma penalidade ou sanção adversa resultará da recusa em participar da investigação.

Sociólogos (as) informarão aos participantes que, uma vez tenham começado a participar da pesquisa, poderão desistir a qualquer momento dessa participação. Quando as pesquisas forem conduzidas na própria instituição onde trabalham, com estudantes ou subordinados, sociólogos (as) garantirão que nenhuma conseqüência institucional adversa resultará da recusa em participar como sujeitos da investigação, tomando todas as medidas necessárias para viabilizar as garantias oferecidas aos participantes das pesquisas.

Sociólogos (as) não empregarão métodos enganosos para engajar a participação em pesquisas. Sociólogos (as) esclarecerão aos participantes, antes de solicitar seu acedimento em participar da pesquisa, quando houver riscos de saúde física ou emocional decorrentes dessa participação.

Uso de Equipamentos para Registro da Informação

Todas as vezes que  sociólogos (as) empregarem equipamentos para registrar informações de pesquisa tais como gravadores, filmadoras, câmeras, vídeo-câmeras ou outras formas de registro de voz e/ou imagem, será obtido o consentimento informado dos participantes na investigação

Uso de Incentivos

Sociólogos (as) conduzindo pesquisas não empregarão incentivos que possam coagir os (as) participantes a colaborarem com essas investigações, afetando a confiabilidade dos dados.

Confidencialidade

A segurança, anonimato e privacidade de participantes em pesquisas deverão ser rigorosamente respeitadas tanto em pesquisas qualitativas quanto quantitativas. A fonte da pesquisa deve ser confidencial, a não ser que informantes concordem ou tenham solicitado para serem citados. aso informantes possam ser facilmente identificados, pesquisadores (as) devem alertá-los para conseqüências que possam advir para os (as) informantes, da divulgação dos resultados da pesquisa.

Quando for garantida a confidencialidade das informações, sociólogos (as) devem protegê-la inclusive de outros pesquisadores (as). Cuidados especiais devem ser tomados na disponibilização dos dados de pesquisas em arquivos públicos, protegendo a identidade daqueles (as) que forneceram as informações que constituíram objeto da investigação. Precauções devem ser tomadas para assegurar a confidencialidade das informações prestadas por participantes inclusive por outros investigadores, estudantes, entrevistadores, supervisores e demais integrantes do processo de levantamento de dados.

Publicação e comunicação de dados de pesquisa

Dados coletados em atividades sociológicas de pesquisa constituem propriedade intelectual dos pesquisadores (as) que possuem, em princípio, direitos autorias sobre os mesmos. Se os direitos autorais forem do patrocinador ou empregador, os pesquisadores (as) têm direito a compensação adequada pela alienação dos direitos autorais.

Em princípio pesquisadores possuem o direito de submeter seu trabalho para publicação, ou publicá-lo às suas próprias expensas. Pesquisadores têm o direito de garantir que os seus resultados de pesquisa não sejam manipulados ou tirados do contexto por seus patrocinadores.

A contribuição de pesquisadores acadêmicos, patrocinadores, técnicos e outros colaboradores que fizeram uma contribuição substantiva na elaboração e condução de um projeto de pesquisa deve receber crédito explícito em qualquer publicação decorrente do projeto. Bases de dados tornadas públicas devem conter informações sobre pesquisadores (as) responsáveis pela pesquisa, fontes e métodos pelos quais os dados foram obtidos. Uma vez publicadas as informações de um projeto de pesquisa, ele deverá ser considerado como parte do conhecimento público e base do acervo da comunidade científica, aberto a críticas e ao debate científico.