sábado, 21 de maio de 2016

a doutrinação mais perigosa


por Contardo Calligaris
Na adolescência, os contos de Hemingway eram meu modelo de estilo, e eu tentava imitá-lo: frases curtas, coordenadas, repetições frequentes etc. Imaginava que, dessa forma, eu escreveria sem retórica: só os fatos, sem a tentativa de convencer ninguém de nada.
Eu estava errado: o estilo dos contos de Hemingway é tão retórico quanto a escrita de um bacharel em direito do século 19. A retórica do bacharel incluía a vontade de falar diferente do povo e de se diferenciar dele. A de Hemingway, ao contrário, incluía a vontade de parecer espontâneo e "natural".
Em geral, a gente quase sempre acha que nossa escrita e nossa fala são "naturais", enquanto as dos outros são infestadas pela retórica. Na verdade, não há escrita ou fala que não sejam retóricas.
Guardemos essa constatação e vamos ao tema de hoje. Como assinala e discute o editorial da Folha de 15 de maio, na Câmara dos Deputados, em várias Assembleias Legislativas estaduais e Câmaras Municipais, "tramitam projetos contra a 'doutrinação ideológica' [das crianças] em matéria política, religiosa ou sexual".
Em Alagoas, onde a legislação já foi adotada, o professor deve evitar conteúdos que estejam "em conflito com as convicções morais, religiosas ou ideológicas dos estudantes ou de seus pais ou responsáveis".
O movimento Escola sem Partido chega a oferecer um modelo de notificação anônima para os pais denunciarem os professores que pratiquem "doutrinação" na escola.
Sou contra doutrinação, de todo tipo. Justamente por isso, parece-me bom que os professores proponham conteúdos diferentes do que os pais já pensam e já tentam impor às crianças. Sem isso, ir para a escola para o quê? Aluno bom é o que critica a casa graças ao que aprende na escola, e a escola graças ao que aprendeu em casa.
Não gostaria que meus filhos fossem doutrinados em marxismo (qual marxismo, aliás?), mas me parece impensável que eles não entendam nada e não leiam nada de um pensamento que foi a maior paixão intelectual do século 19 e do século 20. Também não gostaria que meus filhos fossem doutrinados em Bíblia (qual Bíblia, aliás?), mas me parece impensável que eles não leiam nada do livro que foi a referência central da cultura ocidental durante séculos.
A maior garantia contra conteúdos "invasivos" deveria ser a variedade das ideias que uma criança encontra na escola. No meu ginásio, o professor de filosofia era trotskista. Eu, na época, estava fundando o círculo estudantil Piero Gobetti (liberal e anti-fascista italiano). O professor de latim era monarquista: admirávamos seus poemas, mas éramos todos republicanos. Minha lembrança é que, longe de aderir à ideologia de um ou outro, foi discordando que aprendemos mais –discordando deles e dos nossos pais.
Aqui vem um problema mais sério. É fácil inventar sistemas de controle contra a transmissão de ideologias reconhecíveis. Por exemplo, era fácil se proteger do marxismo do professor de filosofia ou do monarquismo do professor de latim. Bem mais difícil era se proteger contra o professor de italiano, o qual não tinha "ideias" para "doutrinar" ninguém: ele apenas distribuía trivialidades como se, por serem triviais, elas não merecessem nossa atenção crítica. É o exemplo do começo: assim como não tem escrita que não seja retórica, não tem pensamento que não seja ideológico.
Como proteger as crianças contras as ideologias que se apresentam como jeitos "naturais" de pensar? Como evitar que elas aceitem ingenuamente os clichês que são transmitidos como "naturais"?
Receio que, retirando as ideologias explícitas (que podem ser combatidas, discutidas e recusadas), só reste para as crianças a ideologia do círculo da padaria, que é a mais perniciosa, porque parece ser o pensamento "espontâneo" de "todos".
Os próprios doutrinadores, nesse caso, sequer acham que estão doutrinando, porque concebem os clichês do seu pensamento como expressão da "natureza humana".
Você se pergunta quais são os conteúdos dessa ideologia implícita que contamina nossas crianças às escondidas? Seria bom voltar ao "Dicionário das Ideias Feitas", de Gustave Flaubert (Nova Alexandria).
PUDOR: mais belo ornamento da mulher. GOZO: palavra obscena. DEUS: o próprio Voltaire o afirmou: "Se Deus não existisse, precisaríamos inventá-lo". DEICÍDIO: indignar-se contra, embora seja um crime pouco frequente.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

NOTA DA SBS SOBRE AS DEMISSÕES DE PROFESSORES E CENSURA AO ENSINO DE SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Como parte do fenômeno de cisão no debate sociopolítico no Brasil, temos observado interdição de certas reflexões próprias do campo da sociologia em instituições de ensino. Prova disso é que a Sociedade Brasileira de Sociologia tem recebido, nos últimos meses, frequentes denúncias relatando demissão de professores de sociologia da Educação Básica devido à supostas orientações ideológicas que deveriam ser evitadas e até combatidas.

Primeiro aspecto a destacar: conforme as Orientações Curriculares Nacionais, a sociologia no Ensino Médio é o espaço das ciências sociais nas instituições de ensino. Nesse sentido, considerando-a uma ciência pluri-paradigmática, ela é o lócus do acesso a uma densa produção constituída por diversos autores clássicos e contemporâneos, representantes de diferentes perspectivas analíticas fundamentadas em tradições teóricas que fazem parte da fortuna intelectual de nossa sociedade. Por isso, distintas vertentes teóricas não podem ser ignoradas em função da orientação familiar ou da comunidade local. Do mesmo modo, não se pode ignorar o potencial reflexivo das diferentes correntes teóricas da sociologia, particularmente em relação ao contexto social brasileiro, tão heterogêneo em suas desigualdades econômicas, culturais, étnicas e sociais.

A sociologia no Ensino Básico faz referência a um repertório intelectual legitimado e, como tal, deve ser reconhecido e respeitado no ambiente escolar. A perspectiva crítica acerca deste repertório não deve ser evitada; ao contrário será estimulada como resultado desta pluralidade.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Sociologia, enquanto associação científica zela pela pluralidade teórica no ensino de sociologia e pelo direito dos docentes de transmiti-la de forma cuidadosa para os estudantes da Educação Básica.

Segundo aspecto que cumpre destacar: mais uma vez, conforme nos diz as Orientações Curriculares Nacionais, a sociologia no Ensino Médio tem como tarefa a desnaturalização dos fenômenos sociais. Com efeito, o pressuposto fundamental deste campo científico é considerar o comportamento humano socialmente condicionado. Inúmeras pesquisas nas ciências sociais – em particular na Antropologia – demonstram, de forma definitiva, que as relações humanas não são determinadas por imperativos naturais universais, mas que variam segundo os contextos sociais. Nesse sentido, rigorosamente, a desnaturalização dos fenômenos sociais é operação intelectual básica da sociologia. Isso implica em compreender, sob o ponto de vista das condições históricas e sociais, uma pluralidade de fenômenos, entre os quais, por exemplo, as formas de expressão religiosa e as questões relativas à identidade de gênero, temas que vem ocupando uma parte significativa da produção contemporânea na sociologia.

Por fim, é importante lembrar que a sociologia se refere a uma consciência racional da sociedade e representa um certo tipo de humanismo que reconhece a pluralidade de formas da vida social e estimula uma atitude reflexiva- a um só tempo indagadora e compreensiva. Entendemos que o trabalho educativo é o ato de produzir a humanidade em cada indivíduo singular e para tal a escola constitui-se em lócus privilegiado de socialização do conhecimento acumulado histórica e socialmente, o que significa reconhecer o caráter social do conhecimento no processo de construção dos campos científicos e suas respectivas epistemologias. Por tudo isso, a Sociedade Brasileira de Sociologia repudia veementemente o cerceamento da liberdade docente e defende a autonomia do seu campo científico na escola.

DIRETORIA da SBS

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Chamada de propostas de Grupos de Trabalho para o 18º Congresso Brasileiro de Sociologia

18º Congresso Brasileiro de Sociologia
26 a 29 de julho de 2017
Brasília, DF

Que sociologias fazemos?
Interfaces com contextos local, nacional e global

Chamada de propostas de Grupos de Trabalho

1. Apresentação 

O 18º Congresso Brasileiro de Sociologia, organizado pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), será realizado de 26 a 29 de julho de 2017 na cidade de Brasília. Terá como formato básico de organização os Grupos de Trabalho (GTs), Mesas-Redondas, Conferências, Fóruns, Sessões Especiais, Sociólogos do Futuro, além outras atividades que forem julgadas pertinentes pela Diretoria da SBS e pelo Comitê Científico do Congresso.
Esta chamada diz respeito à apresentação e seleção de propostas de Grupos de Trabalho. Posteriormente serão anunciadas novas chamadas concernentes a outras atividades que irão compor o 18º Congresso Brasileiro de Sociologia.

2. Envio de propostas temáticas para formação de Grupos de Trabalho

Os Grupos de Trabalho têm por propósito fomentar e aprofundar a discussão em torno de determinados eixos temáticos a partir de propostas de trabalhos e discussões. Os GTs constituirão a base programática do Congresso de 2017, potencializando a reunião de pesquisadores de diferentes regiões e em diferentes estágios de suas carreiras.
No processo seletivo, terão prioridades propostas que abordem:
1. questões emergentes, ligadas às mudanças experimentadas pela sociedade contemporânea;
2. desafios teórico-metodológicos com que se defrontam os cientistas sociais na atualidade.
3. na medida em que um dos eixos constitutivos do Congresso assentará numa reflexão sociológica dos diversos campos e/ou áreas da sociologia que vem sendo realizada no Brasil, num contexto de crescente internacionalização da sociologia, serão priorizadas propostas que também pretendam realizar um balanço crítico de sua área temática, apontando para avanços, lacunas e potencialidades dos trabalhos que vêm sendo realizados, levando em consideração as mudanças que vêm ocorrendo na sociologia em nível global.

Considerando o amadurecimento acadêmico da área de sociologia no país, os responsáveis pela proposta de GT deverão ter a titulação de doutor e ser associados da SBS, em dia com suas obrigações.

Cada proposta de Grupo de Trabalho deverá ter dois/duas coordenadores(as) e um(a) coordenador(a) suplente, de unidades federativas diferentes. A proposta deve incluir: título da atividade, nome completo, filiação profissional e titulação acadêmica dos proponentes, resumo de até 1000 caracteres. Deve acompanhá-la, ainda, um resumo expandido, de até 6000 caracteres, incluindo justificativa, relevância da proposta, subtemas, eventual histórico em congressos da SBS e outras informações que forem consideradas pertinentes.

A seleção das propostas, dentro dos limites de infraestrutura física do Congresso e com base nos critérios de excelência, relevância, interesse científico e atualidade, será realizada pelo Comitê Científico do Congresso, eventualmente assessorado por consultores ad hoc, e ratificada pela Diretoria da SBS.

As propostas devem ser enviadas para o endereço congresso@sbsociologia.com.br. Não serão aceitas propostas enviadas por outra via. É vedada a apresentação de mais de uma proposta pelo(a) mesmo(a) proponente.

Os proponentes ficam cientes que as informações dos GTs, caso necessário, poderão ser utilizadas pela SBS para a fundamentação de projetos de apoio financeiro junto a agências de financiamento e patrocinadores.

Maiores informações: http://www.sbsociologia.com.br/

"Vamos continuar tolerando o intolerável?"

quarta-feira, 6 de abril de 2016

a Sociologia como artesanato intelectual

v. 1, n. 01

jan. jul. 2013 | Modos de Pensar: a Sociologia como artesanato intelectual

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Por trás do laboratório secreto de Marx: Por uma concepção expandida do Capitalismo

O Capitalismo está de volta! Após décadas em que o termo raramente era encontrado fora dos escritos de pensadores Marxianos, comentadores de vertentes variadas agora abertamente se preocupam com a sua sustentabilidade, acadêmicos de todas as escolas se apressam a sistematizar suas críticas e ativistas pelo mundo afora se mobilizam em oposição às suas práticas.1 Certamente, o retorno do “capitalismo” é um desdobramento desejável e um marco preciso, se é que um era necessário, da profundidade da crise atual – e da carência generalizada de uma elaboração sistemática a respeito dela. O que toda essa conversa sobre o capitalismo indica, sintomaticamente, é a intuição crescente de que os males heterogêneos - financeiro, econômico, ecológico, político, social - que nos cercam podem ter uma raiz comum; e de que as reformas que se recusarem a lidar com os profundos alicerces estruturantes destes males inevitavelmente falharão. Igualmente, o ressurgimento do termo aponta para o anseio, em vários campos, por uma análise capaz de iluminar as relações entre as distintas lutas sociais de nosso tempo e de fomentar uma cooperação organizada, até mesmo completamente unificada, de suas correntes mais avançadas e progressistas em um bloco anti-sistêmico. O palpite de que o capitalismo é a categoria central desta análise é certeiro.

artigo completo aqui

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A mãe fundadora negligenciada – sociologia e androcentrismo

Harriet_Martineau_by_Richard_Evans

Por Ed Machado para o circuito acadêmico

O silêncio e a ausência costumam ser mais significativos que o dito e o  evidenciado. As histórias oficiais são ritualmente contadas, e acabam sendo naturalizadas e eternizadas. Na iminência de se tornarem inquestionáveis, essas histórias são confrontadas por vozes dissonantes que, embora sempre estivessem presentes, nunca foram de fato ouvidas.

Todos os semestres, nas aulas introdutórias de sociologia, mitos relativos à narrativa histórica desta ciência são perpetuados. Temos o conhecido mito da modernidade europeia, da qual a disciplina seria filha legítima; e o mito dos pais fundadores: Marx, Durkheim e Weber, às vezes também Simmel. Sem questionar, aceitamos convenientemente essas narrativas. Mas seria possível imaginar outras? Para Vineeta Sinha, socióloga da National University of Singapore, não é só possível imaginá-las, como também praticá-las

ler o artigo completo:

http://circuitoacademico.com.br/2015/04/07/a-mae-fundadora-negligenciada-sociologia-e-androcentrismo/

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tecendo Redes, Suportando o Sofrimento: sobre os círculos sociais da loucura

Por Breno Fontes (UFPE): Este artigo tem por objetivo investigar a estrutura das redes sociais não ancoradas territorialmente; são interações mediadas pela Internet, capazes de estruturar laços secundários (predominantemente) e primários (de forma ocasional). De forma similar a outras práticas de sociabilidade ancoradas territorialmente, estas, mediadas pela Internet, também são capazes de prover apoio social. Tendo como ponto de partida o conceito de Círculos Sociais desenvolvido por Simmel, procuro construir uma tipologia de práticas de sociabilidades mediadas pela rede mundial de computadores, a partir de informações recolhidas na literatura especializada. A conclusão é que comunidades online de pessoas ligadas ao que designo círculo social de transtorno mental são importantes instrumentos para a criação de apoio social e disseminação de práticas e informações sobre cuidado.

Palavras-Chave: Simmel; Círculos Sociais; Internet; Saúde Mental

Leia o artigo completo aqui:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222014000300112&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

sexta-feira, 13 de março de 2015

XVII Congresso Brasileiro de Sociologia

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A Sociedade Brasileira de Sociologia apresenta o XVII Congresso Brasileiro de Sociologia, que será realizado de 20 a 23 de julho de 2015, em  Porto Alegre, no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O tema do evento é ‘Sociologia em Diálogos Transnacionais’, que chama a atenção para a importância dos debates correntes nas principais redes internacionais de pesquisa sociológica. Interconectadas, essas redes propiciam a crescente cooperação em pesquisa e docência de sociólogos brasileiros com colegas da América do Norte, da Europa, dos países lusófonos, dos países ibero-americanos, do denominado eixo ‘Sul Sul’, com destaque para as importantes conexões com pesquisadores dos países Brics, da América Latina e da África.

Página oficial do evento: http://sbs2015.com.br/

elite empresarial e elite econômica: o estudo dos empresários

COSTA, Paulo Roberto Neves. Elite empresarial e elite econômica: o estudo dos empresários. Rev. Sociol. Polit. [online]. 2014, vol.22, n.52, pp. 47-57. ISSN 0104-4478.  http://dx.doi.org/10.1590/1678-987314225204.

Os objetivos do artigo são verificar como a questão da elite se apresenta na literatura sobre empresariado no Brasil e contribuir para a construção de uma estratégia de análise que se paute por essa questão no estudo dos empresários. A análise dos estudos que tratam do empresariado como elite indica a existência de algumas lacunas e imprecisões. O uso da expressão "elite" nem sempre vem acompanhado do desenvolvimento de suas implicações teóricas e metodológicas. E os trabalhos sobre o empresariado que recorrem a métodos de estudo de elites tendem a associá-los, de forma precária, ao tratamento de outras questões, como a da classe. Nesse sentido, propomos a distinção entre elite empresarial, os dirigentes das entidades de representação do empresariado, e elite econômica, os dirigentes das grandes empresas. Pretendemos contribuir tanto para uma maior precisão das categorias analíticas, quanto para a construção de métodos e hipóteses de trabalho mais eficazes no estudo dos empresários. Ao mesmo tempo, propomos que as particularidades e semelhanças desses dois grupos que compõem a elite do empresariado sejam tratadas, sobretudo, mas não de forma exclusiva ou isolada, a partir da questão da política e das instituições políticas, em particular seus valores e suas formas de ação política.

Palavras-chave : empresários; empresariado; elites; elite econômica; elite empresarial.

Acesso livre ao texto completo: http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v22n52/04.pdf

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

curso de sociologia gratuito FGV

A Sociologia trata da discussão contemporânea sobre o conhecimento sociológico, apresentando conceitos, temas e autores centrais na definição da Sociologia. O objetivo do curso é oferecer aos professores de ensino médio e demais profissionais que lidam com a Sociologia um instrumento atualizado de informação e aprendizagem.

Faça sua inscrição gratuita:

http://www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/AreaConhecimento/Educacao/Sociologia/OCWSOCEAD-01slsh2009-1/OCWSOCEAD_00/SEM_TURNO/387

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Agora é que a história do socialismo está começando

 

Michael Lowy, cientista social: ‘Agora é que a história do socialismo está começando’

No Brasil para uma palestra e vivendo na França há 40 anos, marxista brasileiro especializado em Walter Benjamin relaciona revolução com impulso messiânico

POR PEDRO GUEIROS

<br />Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo<br />Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Michael Lowy fala sobre religião e marxismo, dá sua opinião sobre utopia e comenta tropicalismo - Marcelo Carnaval / Agência O Globo


“Nasci no Brasil, fui para a Europa fazer tese sobre Marx e vivo na França há 40 anos. Tenho estudado o judaísmo libertário e o grupo de pensadores que articulou a tradição messiânica com a utopia revolucionária. Sou um ateu religioso. Acredito no marxismo e no homem, mas essa já é uma fé profana”

Conte algo que não sei

Estima-se que o derretimento das calotas polares elevará o nível do mar em 70 metros mas basta subir um metro para as principais cidades ficarem debaixo d'água. A sociedade industrial capitalista ocidental nos faz caminhar para o desastre mais rápido do que se esperava. Estamos sob ameaça do dilúvio, como na Bíblia. Precisamos pensar numa alternativa civilizatória radical, determinada pela decisão coletiva e democrática. Chamo isso de ecossocialismo.

Boa parte dos intelectuais marxistas, como o senhor, tem origem judaica. A religião que oprime é a mesma que liberta?

Walter Benjamim denuncia o capitalismo como religião mas diz que o materialismo precisa da ajuda da teologia para ser redentor. Há na tradição judaica o messianismo, promessa de um mundo do qual a opressão, a fome, a miséria, a guerra desaparecerão. Isso tem potencial subversivo, mas não é monopólio dos judeus. O pessoal teologia da libertação, leitor atento do antigo testamento, se apropriou. Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina.

Por que antigos militantes de esquerda convertidos ao liberalismo tratam com despeito a bandeira vermelha?

Quem muda de lado tem contas a acertar com o passado, e ataca quem se mantém fiel a ideias. Alguns dos maiores inimigos do socialismo foram socialistas antes. Para citar um nome, Mussolini. O problema não é o indivíduo, há gente honesta e humana em toda doutrina. Mesmo na escravidão havia senhores que tratavam bem os escravos. O problema é o sistema. A escravidão tinha de acabar. O mesmo diz-se do capitalismo.

É preciso ser jovem de espirito pra crer no coletivo?

Em qualquer luta, a juventude é protagonista. Mas há gente de várias idades que continua convicta. Depois de passar a vida ouvindo que quando ficasse velho iria ver que as coisas são diferentes, o poeta surrealista francês Benjamim Péret disse: “Fiquei velho e não vi nada”.

O uso da força faz do oprimido de hoje o opressor de amanhã. A revolução definitiva será obtida por meio do amor?

O ideal seria a revolução do amor, pacífica, tal qual pregaram Luter King, Mandela. Infelizmente, sabemos que as classes dominantes resistem às mudanças, e há o perigo de uma resistência violenta das oligarquias. É importante buscar a transformação pela consciência, mas em certas circunstâncias você será obrigado a se defender.

Com a queda do muro, o que restou da utopia?

O que fracassou nos países do leste foi uma caricatura burocrática do socialismo: o marxismo foi usado só para legitimar um estado que não tinha muito a ver com a essência socialista, em que a sociedade controla democraticamente os meios de produção e consumo. Talvez no começo, havia uma tentativa, mas virou uma ditadura totalitária. Só que não acabou. Na verdade, é agora que a história do socialismo está começando.

Vistos como a civilização do atraso, os índios agora são o paradigma do futuro?

Benjamim dizia que o capitalismo tem relação assassina com a natureza. As comunidades primitivas do Brasil e de toda a América Latina consideravam a natureza como uma mãe generosa. Não por acaso, indígenas estão na vanguarda da luta. Não podemos voltar a viver como eles, mas aprender a respeitar essa mãe generosa.

Não é hora de buscar o tropicalismo como doutrina?

Não, mas todas as doutrinas europeias que chegam ao Brasil têm que se adaptar ao clima tropical, do contrário, não pegam. O marxismo é como arroz, é universal mas cada povo o faz de um jeito. Com o feijão brasileiro vai dar um gosto diferente.

 

originalmente publicado em:

http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/michael-lowy-cientista-social-agora-que-historia-do-socialismo-esta-comecando-14121271

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O papel das Ciências Sociais em um mundo em mudança acelerada

Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Que traços melhor caracterizam o mundo contemporâneo? Entre as grandes mudanças ocorridas no cenário global quais são aquelas que de maneira mais completa definem o tempo presente? Como transitar da perplexidade que essas mudanças inspiram para sua inteligibilidade em grandes quadros interpretativos? Essas foram, resumidamente, as principais indagações que o sociólogo Craig Calhoun procurou responder em palestra realizada em julho na sede da FAPESP, em São Paulo.
Nascido em 1952, o norte-americano Calhoun tornou-se diretor da prestigiosa London School of Economics and Political Science (LSE) em setembro de 2012. Antes disso, dentre várias atividades, desempenhou, nos Estados Unidos, as funções de professor de Ciências Sociais na New York University e de presidente do Social Science Research Council (SSRC), organização independente dedicada ao avanço da pesquisa em Ciências Sociais e áreas afins.
A despeito de ter nascido e se graduado nos Estados Unidos, Calhoun tem conexões antigas com o Reino Unido, pois fez mestrado em Antropologia Social na University of Manchester e doutorado em Sociologia e História Econômica e Social Moderna na University of Oxford. Igualmente determinantes em sua trajetória intelectual foram os trabalhos que realizou em outros países, notadamente na conturbada região do Chifre da África.
Mesmo com o importante cargo que ocupa atualmente, Calhoun faz questão de manter um posicionamento intelectual crítico e um trato pessoal informal e acessível (confira seu blog emhttp://blogs.lse.ac.uk/craig-calhoun/).
A palestra que proferiu na FAPESP foi pautada por um texto que produziu recentemente em parceria com o sociólogo Michel Wieviorka, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, intitulado Manifesto pelas Ciências Sociais (a versão integral pode ser lida em francês emhttp://socio.hypotheses.org/147).
A pergunta feita no início desta apresentação foi assim respondida por Calhoun e Wieviorka em seu manifesto: “Dentre as mudanças que obrigam as Ciências Sociais a transformar seus modos de aproximação, as mais espetaculares podem ser resumidas a duas expressões: a globalização e o individualismo. São duas lógicas que, em conjunto, balizam o espaço no interior do qual a pesquisa cada vez mais é chamada a se mover.”
“A palavra ‘globalização’, em sentido amplo, inclui dimensões econômicas, mas também culturais, religiosas, jurídicas etc. Hoje, numerosos fenômenos abordados pelas Ciências Sociais são ‘globais’, ou suscetíveis de serem observados sob esse ângulo”, prossegue o texto mais à frente.
Quanto ao individualismo, o manifesto o caracteriza como “um segundo fenômeno, não menor, porém mais difuso”. E afirma: “Seu impulso traduziu-se desde cedo na pesquisa por um interesse sustentado pelas teorias da escolha racional, mas também, e principalmente, em tempos mais recentes, pela consideração, cada vez mais frequente, da subjetividade dos indivíduos.”
Depois de sua palestra, Calhoun concedeu a seguinte entrevista à Agência FAPESP:
Agência FAPESP  A nova realidade global é muito diferente daquelas nas quais surgiram e se desenvolveram as teorias sociais clássicas, nos séculos XIX e XX, fato enfatizado em sua conferência. Quais são as diferenças mais significativas? 
Craig Calhoun – Algumas das principais diferenças entre o período histórico atual e os anteriores incluem a intensificação da globalização e, nessa intensificação, o maior papel desempenhado pelas finanças. Trata-se não apenas de uma nova configuração do capitalismo em geral, mas, especificamente, do capitalismo financeiro. Outro item é o retorno da geopolítica. Vemos nos conflitos mundiais uma mistura de questões geográficas, políticas, culturais e civilizacionais, que apresentam padrões diferentes daqueles que caracterizavam o período da Guerra Fria. A Guerra Fria, de certa maneira, bloqueava esse tipo de geopolítica, que vemos hoje nas crises da Síria, do Iraque, da Ucrânia e tantas outras.
Outra diferença é a emergência de um capitalismo informal em larga escala. Quando pensamos no setor informal, geralmente pensamos em pequenas unidades produtivas, localizadas em residências, favelas etc. Mas, hoje, a economia informal atingiu uma escala gigantesca, incomparavelmente maior do que aquela que havia antes. Existe, nesse segmento, o narcotráfico e o tráfico humano, mas não apenas isso. Há muitas outras atividades, movimentando grandes somas de dinheiro.
O mundo contemporâneo também é moldado por questões ambientais, em um grau que jamais vimos: as mudanças climáticas globais, a questão dos recursos hídricos e de outros recursos, a poluição e a degradação das periferias das grandes cidades, questões relacionadas com justiça ambiental, quem ganha e quem perde em relação ao meio ambiente.
Finalmente, sublinharia a questão do déficit institucional. Muitas instituições que ajudavam as pessoas a manejar riscos em sua vida ordinária foram corroídas ou perderam financiamento ou enfrentam problemas. Construir e fortalecer instituições que ajudem as pessoas a resolver os problemas em suas vidas são grandes questões em todo o mundo.
Agência FAPESP  A respeito das questões ambientais, o senhor estudou a influência do contexto social no agravamento dos danos causados por desastres naturais. É bastante conhecido seu estudo dessa contextualização no caso do furacão Katrina, de 2005. Eventos extremos como esse tendem a ocorrer com frequência cada vez maior devido às mudanças climáticas globais. Que lições seu estudo do Katrina oferece para o enfrentamento de novas ocorrências? 
Calhoun – De fato, sabemos que as mudanças climáticas tendem a provocar mais eventos extremos, com furacões e outros desastres. Há uma geografia desses eventos que mostra que as áreas costeiras e outras regiões específicas são particularmente vulneráveis. Um importante aspecto dessa geografia diz respeito ao planejamento urbano. Na grande maioria dos casos, não construímos cidades levando em conta como elas poderiam enfrentar eventos desse tipo.
Depois do Katrina, tivemos, em 2012, o furacão Sandy, que impactou fortemente a costa de Nova York. Isso fez com que as pessoas percebessem que o desenvolvimento futuro da cidade de Nova York precisa incluir preparações para eventos desse tipo. Algumas providências, como a instalação de geradores alternativos para produzir eletricidade, não dizem respeito diretamente às Ciências Sociais. Mas outras, como a criação de sistemas de evacuação ou sistemas de atendimento a pessoas desabrigadas, são questões de Ciências Sociais.
Trabalhos como os realizados por agências humanitárias em várias partes do mundo, dando assistência a refugiados por causa de guerras ou desastres naturais, tendem a se tornar cada vez mais importantes, inclusive em países ricos.
Aprendemos com esses eventos que a pobreza e a desigualdade são fatores definidores dos impactos de furacões ou outros desastres. Quando existe água por todos os lados, quem vive nas áreas mais baixas e alagadiças? Os pobres. Quando existe vento por todos os lados, quem vive em construções mais vulneráveis e sujeitas a desabar? Os pobres. A importância das desigualdades foi claramente evidenciada em New Orleans por ocasião do Katrina.
Temos outra importante questão social, que diz respeito às pessoas que vivem sozinhas. Na sociedade contemporânea, há mais pessoas vivendo sozinhas do que em qualquer época anterior. E essas pessoas são especialmente vulneráveis no contexto de desastres.
Agência FAPESP  O senhor trabalhou no Chifre da África, no nordeste do continente. Em que medida essa experiência influenciou suas concepções acerca das mudanças que propõe para as Ciências Sociais? 
Calhoun – Minhas concepções realmente se baseiam em várias experiências internacionais. No caso do Chifre da África, a experiência direta me ensinou o que eu não havia aprendido em livros. Por exemplo, quando estive pela primeira vez no Sudão, no início dos anos 1980, uma das lições que aprendi foi a importância da infraestrutura física. As Ciências Sociais normalmente não prestavam muita atenção à infraestrutura física, como estradas e eletricidade. Mas isso muda a vida social, determina a interconexão entre diferentes partes do país, define a maneira como as pessoas podem trabalhar ou não. Nessa época, o Sudão tinha apenas uma única estrada intermunicipal pavimentada.
Também entendi a relatividade de dados estatísticos, como o Produto Interno Bruto (PIB). No início dos anos 1980, o Sudão tinha um PIB muito próximo ao da Malásia e o Egito possuía um PIB quase igual ao da China. O PIB é um número grosseiramente enganoso. Mesmo naquela época, o Egito não estava em uma posição confortável comparativamente à China. Isso se deve em parte ao fato de que o PIB não computa as heranças históricas, como o fato de que a China possuía uma rede de trabalhadores em todo o país, de que o nível de educação era melhor na China, de que o nível de saúde era melhor na China. Entendi que os indicadores superficiais, como “baixa renda” ou “média renda”, são altamente enganosos. O nível de renda não informa sobre a verdadeira riqueza de um país.
O último ponto que gostaria de ressaltar sobre o Chifre da África, especialmente sobre o Sudão e a Eritreia, é a importância de comunidades e sociedades sob o nível do Estado nacional e através do Estado nacional. Toda a região é um complexo de inter-relações, em que cada país é, em parte, determinado pelos seus vizinhos, em que refugiados e incursões militares atravessam as fronteiras nacionais e abalam fortemente a situação, em que grupos tribais e comunidades originais e linguísticas são muito fortes, e em que não fica muito claro como as pessoas se identificam.
Dou um exemplo do Sudão. Uma comissão constitucional propôs que deveria haver várias línguas nacionais que reconhecessem todas as principais nacionalidades existentes no país. E houve um protesto do povo saho contra a inclusão de sua língua no sistema educacional. Isso era estranho. Por quê? A resposta foi que, se suas crianças fossem educadas em saho, suas oportunidades seriam muito bloqueadas, o que os manteria sempre em estado de subdesenvolvimento. Então, eles pediam educação em árabe. É apenas um exemplo, mas permite perceber quão complicada é a relação entre diferentes identidades, em diferentes escalas.
Agência FAPESP  Isso vem ao encontro de um dos importantes subtemas abordados em sua palestra: a relação entre sociedade e sociedades. Sociedades, com suas características próprias, incluídas na sociedade maior, supostamente representada pelo Estado nacional. Qual o peso desse tipo de relação no atual conflito do Oriente Médio? 
Calhoun – Temo que esse conflito se torne cada vez pior. Há muitas coisas diferentes convergindo nele. Parte da questão são os conflitos religiosos. E lembremos que não são apenas conflitos envolvendo islamismo, cristianismo e judaísmo, mas também conflitos envolvendo xiitas e sunitas e grupos ainda mais específicos no interior do islã. É por isso que o Ocidente não entende muito claramente o que está acontecendo.
Há também uma questão de Estados. Consideramos, por exemplo, o caso do Irã. Existem interesses próprios, não pelo fato de o Irã ser xiita, mas por ser um Estado específico. Há também interesses de povos que não têm um Estado, como os curdos. Um dos poucos vencedores na atual situação são os curdos, que, pela primeira vez, talvez possam formar seu Estado, no norte do Iraque.
Existe a vulnerabilidade das populações minoritárias. Os Estados nacionais são muitas vezes acusados de genocídio, de tentar impor a supremacia da população majoritária. Apesar disso, às vezes, são capazes de proteger minorias e alcançar uma paz relativa. Intervir, como os Estados Unidos fizeram, por meio da Guerra do Iraque, desestabilizando o Estado, também coloca as minorias em risco. E não devemos achar que os Estados nacionais sejam a única fonte de genocidas. A desestabilização em situações em que existem muitos povos diferentes tentando viver em paz uns com os outros também é um fator de genocídios.
A guerra do Iraque foi um desastre não mitigável para a região. Talvez algumas pessoas tenham tido boas intenções, mas foi um desastre, que colocou em movimento uma série de eventos. Esses eventos também têm outras causas, mas, agora, foi criada uma situação muito difícil de pacificar e estabilizar. E uma situação na qual é impossível ver justiça. Se apenas conseguirmos a paz já será um grande passo adiante. Mas não haverá justiça para a maioria dos refugiados, que foram forçados a abandonar suas casas.
Agência FAPESP  Em sua palestra, o senhor criticou o conceito, hoje bastante difundido, de “Tina” (acrônimo para “There is no alternative” – “Não há alternativa”). A situação atual do capitalismo é apresentada como algo tão natural que nos iludimos pensando que ela jamais poderá ser mudada. 
Calhoun – Do meu ponto de vista, uma das primeiras condições para as Ciências Sociais, especialmente para as Ciências Sociais críticas, que eu acredito serem as ciências reais no caso, é reconhecer que “Tina” não é verdade. Quase sempre há alternativas, algumas melhores, outras piores. Se acreditarmos que aquilo que existe atualmente é natural, necessário, inevitável, seremos incapazes de entendê-lo. Não apenas não entenderemos os futuros possíveis, mas também não entenderemos a realidade corrente, porque não entenderemos por que esse conjunto específico de condições existe e não outros. Eu acho que este ponto de vista crítico não é propriedade de nenhuma corrente de pensamento específica. Mas precisamos reconhecer que aquilo que existe é apenas parte do possível, se quisermos entender tanto a realidade corrente como as realidades futuras. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

o precariado e a luta de classe

“A economia mundial encontra‑se em plena Transformação Global, produzindo uma nova estrutura de classes a nível global. Está a surgir uma nova classe – o precariado –, que se caracteriza por incerteza e insegurança crónicas. Embora o precariado esteja ainda em constituição, com divisões no seu seio, os seus elementos encontram­‑se unidos na rejeição das velhas tradições políticas dominantes. Para se tornar uma classe transformadora, no entanto, o precariado necessita de ultrapassar o estádio de rebelião primária manifestado em 2011 e de se constituir como uma classe‑para‑si, capaz de se assumir como força de mudança. Isto implica uma luta pela redistribuição dos bens fundamentais para uma vida boa numa sociedade boa no século xxi – não os “meios de produção”, mas a segurança socioeconómica, o controlo sobre o tempo, espaços de qualidade, conhecimento (ou instrução), saber financeiro e capital financeiro.”

Guy Standing, « O precariado e a luta de classes », Revista Crítica de Ciências Sociais, 103 | 2014, 9-24.

Leia o texto integral

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Dossiê - Sociologia Econômica e das Finanças

“Esta edição de lançamento da revista NORUS – Novos Rumos Sociológicos –  é mais um esforço de consolidação do Programa de Pós-Graduação (PPGS) em Sociologia, da Universidade Federal de Pelotas. Trata-se de um momento muito especial, para o Programa, pois estamos concretizando o objetivo de construção de um periódico de difusão de conhecimentos produzidos nos âmbitos nacional e internacional. O primeiro número inclui o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças, organizado pelas pesquisadoras Marina de Souza Sartore (UFG) e Elaine da Silveira Leite(UFPel), além de artigos diversos da grande área das ciências sociais, em especial, da sociologia. Sua vocação dupla, para receber contribuições nacionais e estrangeiras e para divulgar pesquisas em áreas atuais, do conhecimento científico-social, constitui um destaque da política editorial que a NORUS pretende dar continuidade em cada número.

Essa edição apresenta artigos de Michèle Lamont; Géssika Cécilia Carvalho; Marcela Purini Belem e Julio César Donadone; Davide Carbonai, Vinicius de Lara Ribas e Ronaldo Colvero; Deyanira Almazán; e Moisés Kopper, que compõem o Dossiê de Sociologia Econômica e das Finanças. O Dossiê é complementado por uma resenha do professor Roberto Grün da obra “The Oxford Handbook of the Sociology of Finance”, de 2012. Além disso, temos a tradução do primeiro capítulo do livro “Teoría y Métodos de la Investigación Social”, obra clássica de referência no ensino de metodologia na América Latina, do sociólogo norueguês Johan Galtung; a transcrição da aula inaugural proferida pelo sociólogo uruguaio Marcos Supervielle no PPGS (UFPel), em 2011; e os  artigos “Política e desenvolvimento no Brasil: a experiência do setor automotivo nos anos 1990” de José Carlos Martines Belieiro Júnior e “Uma análise do sistema de educação superior baseada na teoria dos ”

Para ler a revista:

http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/NORUS/issue/view/234/showToc